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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Até hoje foi sempre futuro

"Ai, ai, ai aaaaaii, tá chegando a hora! O dia já vem, raiando meu bem, eu tenho que ir embora!"


Bati o recorde mais uma vez. Passou praticamente um mês desde meu último post, infelizmente. Hoje é meu último dia em Sevilla, minha última noite aqui na minha casa.  O último mês foi corrido: meu irmão veio me visitar, eu terminei as atividades da faculdade, e viajei para alguns lugares fantásticos. O blog, durante esse ano todo, foi uma boa forma que eu encontrei de desabafar um pouco e compartilhar tudo que andou passando comigo. Foram uns 50 posts e mais de três mil visitas, e valeu muito a pena. Amanhã começo a primeira parte da grande viagem final, e não sei como vai ficar meu acesso à internet, então por hora fecho as portas oficialmente, deixando uma fresta aberta pra um prólogo, ou "o que aconteceu com Luísa depois de dar a volta ao mundo em 80 dias".
Pra tentar compensar um pouco a ultima ausencia, aí vai um an passant dos últimos acontecimentos:

Depois de nove meses de comunicação via uma tela, o Gabriel, meu irmão gêmeo, veio me visitar!!! El Gemelito fez o maior sucesso, conheceu meus amigos, apreciou minha desenvolta culinária, turistou e fizemos muita festa juntos. Foi uma semaninha curta mas muito divertida, que acabou em Madrid, de onde saía seu voo de volta para o Brasil. Te amo, Ga!
De Madrid eu peguei um võo pro Porto, em Portugal, ter uma aula de arquitetura com o Álvaro Siza, principal arquiteto português, Souto de Moura, seu discípulo e recente ganhador do Pritzker, o "Oscar" da arquitetura, e o Rem Koolhaas, arquiteto holandês que tem esse projeto aí da foto - a Casa da Música - no centro da cidade (Na foto, a primeira vista que eu tive do projeto, saindo da estação de metrô que leva seu nome). É asustador. Eu passei o ano estudando o Siza e o Koolhaas aqui em Sevilla e de verdade foram dois dias de aulas de arquitetura viva. Casa linha do desenho desses arquitetos tem um sentido, e as suas obras quase que falam. 
Além disso, estar em Portugal foi uma emoção à parte. Fazia tempo que eu não me comunicava livremente em português (falar com os brasileiros aqui de Sevilla não conta! haha) e lia "ç" e "ão" por todo canto. De certa forma a proximidade com o Brasil e com a minha volta mexeram um pouco comigo, sabendo que tá muito próximo o finzinho aqui, mas enfim, o encanto com essa cidade me animou, foi uma das mais bonitas que já vi por aqui.
E, por fim, a aventura mais esperada da Europa: ir pro Marrocos fazer uma excursão ao deserto.. haha. Não tenho como narrar todas as coisas que vi e ouvi por alí, fosse no barulho de Marrakech, fosse no silêncio do deserto em Merzuga, fronteira do Marrocos com a Argélia. As cores intensas, a caligrafia delicada, o dinheiro que vale tão pouco, as crianças pedindo dinheiro, as mulheres de cabelos escondidos. Os berbers, nômades do deserto que mal sabem sua idade mas falam uns cinco idiomas, conscientes de que comunicar-se é uma forma de sobrevivência. O calor quase carioca, a cor sempre rosa das construcôes, a mimesis com a natureza, a arquitetura sempre presente. A simpatia das pessoas, o desespero das pessoas. As dunas infinitas, o mar de areia. Foram mais ou menos quatro dias e meio nesse país, mas bastou pra perceber que ficou muita coisa por ver. Que bom, fica uma desculpa pra voltar.

Então, por fim, acabou. Sabe aquela música, é só isso, não tem mais jeito, acabou, boa sorte? Impossível não lembrar. Mas eu prefiro guardar com carinho o título desse post, que eu ouvi de um italiano que se foi de intercâmbio em portugal, e entendeu assim sua experiência: até hoje foi sempre futuro. Não sei quando a ficha vai cair de tudo o que passou, mas o sentimento de alegria e aprendizado vão ficar pra sempre. 

Serão muitos dias de viagens antes de voltar ao Brasil, e espero realmente ter tempo pra ir contando as aventuras por aqui. 

Um beijo pra todos os que me acompanharam aqui, lendo, comentando, me apoiando!

Hasta la vista, baby! 

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Mudaram as estações (nada mudou)

"Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar, que tudo era pra sempre, sem saber que o pra sempre sempre acaba?"
(Por Enquanto, Cassia Eller)


Só pra que, se antes a sensação era de "tá acabando!" agora já virou "já acabou". Já faço listas de lugares de Sevilla que eu ainda não conheci, comecei a fotografar cada esquina que vejo, e me dou conta de que me faltam duas semanas pra terminar todos os meus trabalhos, até que chegue meu irmão e as entregas. Já cruzo a ponte olhando o rio e pensando "não quero ir!"
Só não termino com "estamos indo de volta pra casa", porque seria uma mentira.


Opto por terminar com um poema de um livro que minha mãe me deu quando eu era criança (não lembro a idade!) e nunca me esqueci, e acho o finalzinho um tanto quanto pertinente.


"Um aviador irlandês prevê sua morte
Nas nuvens, perdido, em seu meio,
Que sina me aguarda estou vendo;
Quem vou combater não odeio,
Não amo a quem defendo.
É Kiltartan Cross minha terra,
Minha gente, os pobres de lá,
Seu mal não finda o fim da guerra
E nem mais feliz a fará.
Não luto por lei, por dever,
Políticos, povo, escarcéu:
Impulso só meu de prazer
Me trouxe ao tumulto do céu.
A mente os cálculos faz:
À frente não tendo o que importe,
Nem tendo o que importe por trás,
Compensa esta vida esta morte.


D.W.Yeats

Tradução de Paulo Vizioli, no livro Poemas (Companhia das Letras, 1991)

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Moda em estações (in)definidas

Na minha terra é assim: no inverno a gente usa calça jeans, casaco (cujo tecido mais grosso é o.. jeans?) e sapatilha. No verão a gente usa sandália, saia, short e blusa sem manga. E é suficiente.
Bastou eu cruzar o oceano pra  mergulhar num oceano de acessorios que acompanham a passagem das estações e truques pra sobreviver à todas elas, como o incrível princípio da cebola, no inverno. 
A chegada em Sevilla foi ótima: saí do inverno carioca (oi?) de 20ºC pro verão Sevillano, me sentindo em casa: andava pelas ruas de short e havaiana.

Verão em Cadiz - pernas e braços de fora, cablo preso!



E chegou o outono! Sobreposições,
lenços e calça comprida
Mas outubro chegou, o sol deu adeus, e no terceiro mês que eu passei em Sevilla tendo que comprar roupas confesso que levei um susto: até quando minhas guarda-roupa brasileiro ia continuar inadequado pro clima europeu?? Quando eu compava uma blusa de manga curta, passava duas semanas pra ela ser inutilizada. Ok, compro uma de manga comprida. Oi? Ok, um casaquinho pra noite. Naaada disso!
Passei um tempo dormindo com calça de ginástica (e quem disse que eu tinha pijama de calça comprida?) e casaco, mas de fato foi Londres que me fez entender que o frio não algo com que se brinca: há que estar preparado. Foi a primeira grande viagem pro "exterior" e foi quando a crueldade do inverno deu as caras (e isso porque ainda estávamos no outono!!!). Pra me preparar, fui no outlet da outlet da Zara, comprei um casaco de chuva sensacional por 15 euros e me senti garantida. Ou quase.. me disseram que lá chovia todo santo dia e que um ítem indispensável era a famosa bota galocha, quase uma havaiana para os brasileiros. Acontece que era nossa primeira viagem de Ryanair, e.. quem disse que eu ia levar algum outro calçado na minha humilde malinha de 50L? Resultado: cinco dias com o pé metido num bota até o joelho e congelando. Ok, aprendi. O que eu sei é que frio é o que eu passei em Sevilla, o que eu senti em londres, ainda não inventaram nome!!
Inverno em Viena - lição aprendida, de casaco, gorro, luva de couro , calça e bota!

Ok, voltando, esse post não é pra falar do frio, mas sim como a mudança das estações se refletiu no meu armário. Passados os festejos de fim de ano, o inverno continuou maltratando e me fazendo circular por aí com meia calça, calça de ginástica e calça jeans por cima (eis o princípio da cebola), impedindo meus movimentos e me fazendo esquecer da cor do meu.. pé.
Os lenços da outono foram substituidos por grossos cachecóis e as blusas sem manga foram guardadas na mala - não fazia sentido ficar ocupando o armário à toa. 
Quase que por milagre fomos presenteados com duas ondas de calor: uma no começo de janeiro e uma no meio de fevereiro, essa última com termômetros alcançando mais de 30ºC e fazendo todo mundo acreditar que a primavera tinha chegado. Que nada, seu anúncio oficial veio a pouco mais de um mês, e agora sim, as botas não fazem parte mais do figurino (a chuva agora convida pra um tênis..) os lenços voltaram a dar o ar da graça e as estampas florais invadiram todas as vitrines que se prezem. 
Mas um ítem continua me chamando a atenção: a meia calça. No Rio era cor de pele e coisa de velho.. sem sentido nenhum.

Primavera indefinida - meia no lugar da calça, sapatilha no lugar da bota, lenço no lugar do cachecol, mas, ainda de casaquinho na mão.


Aqui foi o charme do outono e fim do inverno com todas as suas cores, expessuras e texturas. Agora é o maior quebra-galho: a calça jeans já ficou muito pesada, mas ainda não dá pra circular por aí de shortinho, ainda mais em um ambiente um pouquinho mais formal como a faculdade. Mesmo transparente/cor da pele, dá um ar mais "elegante" e esquenta pro caso de bater um ventinho.
Bom, essa semana que vem vamos presenciar aqui o maior desfile da Andalucía: La Feria de Sevilla! Uma grande feira, com muita comida, bebida, flamenco e sevilla e, é claro, os mais belos trajes. Um vestido novo chega a custar 500 euros, mas todas as erasmus se viram pra entrar no clima, que é cheio de cores e cultura! Mal posso esperar! Hasta luego!


Primavera quase verão - cores alegres e finalmente, a luz do sol. =)

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Uma Semana Santa muy peculiar

As ruas lotadas revelavam a expectativa que gera um evento de Interese turistico internacional. Qualquer guía turístico de Sevilla avisa: esteja na cidade pra ver a Semana Santa e a Feria, principais eventos turísticos da cidade, (que alias são em datas bem próximas). Quem ficou viu uma cidade transformar-se num grande palco de procissões, com várias ruas tomadas de gente, as áreas principais, ao redor da catedral e nas ruas principais, com filas e mais filas de cadeiras (reservadas pras familias ricas que pagam uma bolada por elas) e até a querida Sevici teve estações desativadas pra impedir a circulação de bicicletas em áreas de procissões. Tudo meticulosamente pensado.
O que não deu pra prever foi o temporal, que molhou desde o começo e a partir da quinta-feira (ou seja, nos dias principais) impediu a saída das procissões e deixou turistas e sevillanos muito é tristes.
Contando a história desde o começo, é preciso mencionar que os festejos começaram no Domingo de Ramos, quando todas as pessoas saem bem vestidas nas ruas e as mulheres compram roupas novas (vide os figurinos ao lado "Hoy me voy de rojo - y yo de verde". Ramo que é bom, eu só vi um galhinho tímido que nem de palma era, na missa. Crente que ia ver sevilla coberta de verde...
Nos dias que se seguiram, a programação era mais ou menos assim: procissões por toda a tarde e noite, cada uma de uma Irmandade (tipo uma organização dentro das paróquias) que seguiam mais ou menos o mesmo padrão, banda, nazarenos, o paso de Jesus, mais nazarenos, penitentes, o paso da Virgen, mas banda. Os pasos são as estruturas com muitas velas e ornamentos que carregavam imagens de Jesus em seus atos mais conhecidos, referente ao dia da semana que aparecem.

Em Sevilla os pasos são carregados por homens, que se juntam pela cidades semanas antes ensaiando com concreto nas coisas o peso dessas estruturas. Uma das poucas cenas de fé e sacrifício que vi (isso porque as procissões são chamadas "estações de penitência") foi o descer do paso, quando abre-se a cortina vermelha e vê-se a cara desses homens, aparece um outro oferendo água em uma jarra de barro, e depois fica um senhor de terno na frente do apso precitando palavras de força até bater forte na madeira e num tranco só o paso se levanta, e soam os aplausous, numa cena que se repete mais ou menos a cada quinze minutos de procissão.
Fora isso, passava  a banda tocando uma série de instrumentos, mas não tinha assim um canto que todas as pessoas na rua pudessem acompanhar. Mas peraí, canto? Não deveria ser uma.. oração? Do Santo, do dia, o terço? Necas. Fora as imagens religiosas e a longa história das irmandades na cidade, o que vimos foi um desfile de imagens e um mar de turístas fotografando-as (nós inclusive, claro). Os Nazarenos são as figuras que levam esses capuzes compridos e a quem (quase) todo mundo se referia como Ku Klux Klan mas que ninguém, eu disse NINGUÉM soube explicar o porque do figurino (eu perguntei, juro! mais de uma vez.) 
Os penitentes são os que levam as mesmas roupas dos narazenos, mas sem armação pontiaguda, e carregam na mão uma cruz e saem descalsos (um dos outros poucos atos de sacrifíco) na procissão, mas o espanhol que eu conheci que sai de Penitente me disse que o pai dele o inscreveu quando ele nasceu, paga todo mês à irmandade pra ele sair na procissão e que nos outros 364 dias do ano ele não faz nada relacionado à igreja. 

A segunda cena mais emocionante que presenciamos, a quase saída de umas das irmandades mais antigas - esperanza de Triana - bairro onde vivo yo, me surpreendeu de duas maneiras. Foi assim: Estava o bairro INTEIRO concentrado na porta da igreja de onde sai a tal famosa Vigen, quase todo mundo já concentrado ali desde meio dia, "bajo el sol", aplaudindo vigorosamente quando chegou  a banda, quando o céu resolve cair sobre nossas cabeças em forma de água, deixando a Virgen quietinha protegida dentro da igreja e todos os sevillanos presentes de coração na mão. O anúncio foi fatal: entre a chuva apertar, as pessoas se solidarizarem com a banda (PARAGUAS A LOS NINÕS!!!) e a correrria pra sair todo mundo dali, ao vê-los saindo, não faltou gente chorando, e a cena foi bem triste.
Por outro lado, enquanto esperávamos a decisão da saída-ou-não-saída, perguntamos a um senhor o que significava o símbolo no brasão da irmandade, o homem me saca uma medalha de ouro do pescoço enchendo a boca pra dizer que a tinha há uns 50 anos, pra na hora de responder gaguejar: "oye tía... que no tengo ni idea". OI? Como você não sabe o que significa o símbolo que vc carrega a meio século????????????????????????
Relembrando as festividades mais religiosas no Brasil, sejam elas quais sejam, com todas aquelas senhoras de terço na mão, com a história de seu santo padroeiro na ponta da língua, não teve como não associar tudo isso a uma espécie de carnaval: Concentração, "sair" na escola que mais te agrada, passar a bateria animando as "alas", alegorias e mais alegorias.. bom, achei estranho.
Naquela que é considerada a cidade mais católica do mundo, termino com a imagem que caracteriza a Semana Santa, e que apesar de tudo é bem bonita: os impressionantes pasos, com suas cenas bíblicas decoradas com delicados ornamentos dourados e  inúmeras velas. 

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Engenheiros em protesto

Parêntesis na Semana Santa pra registrar um acontecimento da semana passada: um protesto de estudantes na faculdade, que hj eu consegui as fotos da Luana que estrategicamente tinha sua máquina em mãos naquela tarde. Foi assim: estávamos na aula ouvindo uma barulheira enorme, e quando saímos vimos todos os aparejadores na rua gritando e marchando rumo à reitoria. Aos poucos fomos nos inteirando do que se passava. Acontece que aqui na Espanha, a Escola Técnica Superior de Arquitetura oferece uma formação super completa aos estudantes, que comparado aos cursos do Brasil é quase uma soma de Arquitetura e Engenharia Civil, à exceção de alguns temas que ficaram por conta de uma outra escola vizinha, que primeiro se chamou Escuela de Aparejadores, depois Arquitectura Técnica, e por fim, recentemente, ganhou o título de Ingeniería de Edificaciones, o que os deixou muito cheio de orgulho de finalmente serem chamados de engenheiros. Acontece que, estavam querendo tirar o título deles, ("só da gente!") sendo que todas as demais engenharias continuariam formando seus "engenheiros". Bastou pra que todos os alunos se juntassem num protesto desde o campus da Reina Mercedes, onde fica sua Escola, até a Reitoria, parando o trânsito numa avenida importante da cidade, e atraindo uns muitos carros de polícia. "Mano arriba, esto es un atasco!", y "Industriales, hijos de puta!" foram algumas das coisas que eu ouvi, sendo que o reitor é um engenheiro industrial e não parecia ter abraçado a causa, mesmo sendo o único que podería fazer alguma coisa no âmbito Sevilla.
Cervejas na mão, escolta de policiais, e algumas horas depois tudo se acabou, mas legal foi ver a quantidade de alunos se juntando pela causa! 
Inge-nieros! Inge-nieros!

domingo, 17 de abril de 2011

Da neve aos Ramos da primavera

Na verdade, esse era pra ser um post sobre o inverno. Mas eu demorei, a primavera se anunciou e não tive escolha, senão que comemorar o domingo de Ramos dando tchau pro frio que senti por tanto tempos nas bandas de cá. . Depois de muitas tentativas a neve, foi na Sierra Nevada, perto de Granada, na Andaluzia mesmo, que eu me deparei com esse cenário todo todo branco, bonito demais. O ski foi uma aventura doida que.. não deu em nada. O medo bateu, e eu me diverti mesmo foi fazendo boneco de neve e anjinho jogada no chão.
É a última vez que eu menciono o frio, Sevilla não deixa mais. Vanesa e João compraram uma piscina no chino pra não deixar de aproveitar nem um segundo do sol de Sevilla, que já passou dos 30 graus várias vezes, e estão me chamando pra eu largar o computador e me juntar a eles.
Queria escrever mais, mas fica pra próxima vez.
Terminando então com uma foto na beira do Rio, num dos programas mais primaveiris daqui..

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Aventuras na cozinha

Primeiro arroz com feijão - branco
Esses dias assisti o filme Julie e Julia, que é sobre uma americana que resolve aprender a refinada culinária francesa, e fiquei me perguntando porque ainda não tinha escrito como anda a vida culinária por aqui.
Pra quem ainda não sabe, na España se come tapas, que são pequenas porções de muitos tipo de comida, pode ser desde presunto até carne com tomate. Mas não é sobre a comida na rua que eu queria falar, e sim sobre como eu fui aos poucos criando intimidade com o o fogão (mais precisamente, com a vitroceramica que eu tenho agora, e a ausência do forno!)
Quem me conhecia sabia que na minha casa em Niterói eu só entrava na cozinha pra comer, e não tinha a menor intimidade com o fogão. Aqui quem me ensinou a cozinhar primeiro foi a Luana, me introduzindo nas coisas mais básicas e me dando força pra não desistir ao primeiro arroz queimado. Essa primeira foto aí do lado é uma das primeiras refeições decentes que comi aqui, à la brasileira. Não durou muito. Comer com arroz, feijão, carne, batata, salada e zas e zas dá mt trabalho e consome mt tempo, e não vou esconder que trai o arroz pelo macarrão e passeo um bom tempo só comendo isso..

Cheia da intimidade com a panela! hahah

Bom, o mais importante é como eu crei gosto por cozinhar! Nunca em minha vida pensei que sentiria falta de reforgar uma cebola ou picar um frango. Pratos que eu achava que só uma autoridade superior da cozinha -mamãe- poderia fazer, se mostraram super fáceis, como o strogonoff. Ai como eu amo strogonoff! Pena que não dá pra comer todo dia. O tema da gordura foi outa coisa que me passou aqui. No começo, quando eu ainda não tinha muita paciência pra cozinhar eu emagreci bem,  mas do natal pra cá, passei a conhecer melhor os supermercados, as coisas que eu gosto de comer, e foi uma bola de neve, juntando com o fato de no inverno a gente sai sempre com muitas camadas de roupa e é mais difícil reparar que ta engordando.. bom, agora estou tendo que correr atrás do prejuízo. Gosto também de observar como cada um aqui vai levando sua vida culinária. A Luana tem uma mãe nutricionista, então comia sempre muito responsavelmente, pensando em balancear nutrientes no prato, e cheia dos conhecimentos dos legumes e vegetais. O João é exigente, gosta de tudo muito bem feito e temperado, e tem muita paciência pra fazer pratos mais elaborados e demorados. A Vanesa era a única que já morava sozinha antes de vir pra cá, então já tinha algumas manhas de cozinha, mas fiquei surpresa como foi pela comida que ela mais se inseriu na vida espanhola – enamorou-se pelo azeite e pelas torradas com azeite e tomate pela manhã.


Fora isso, a gente vai se acostumando com os ingredientes que encontra por aqui, feijão em lata pra não precisar cozinhar, patê, que é muito barato mercado, carnes não tão boas e paellas conjeladas. Na minha geladeira o que mais mudou foi a presença dos vegetais: nunca falta berinjela, pepino, pimentão, cogumelo, alface, tomate. A berinjela foi um achado alemão: o alemão que morava comigo não vivia sem, e sempre me oferecia, e eu, com vergonha de recusar, acabei me viciando. Agora moro com duas italianas, que, claro, comem macarrão todo santo dia. Essa última foto é da festinha de despedida do meu antigo piso, cada um levou alguma coisa que gostava de fazer. O Pieterjan(belga) levou guacamole, o Fabia (alemão) peixe frito, eu levei strogonoff. A lentilha é da Irene, uma italiana que não tinha mais nada na geladeira naquele dia.. a Luana levou uma sobremesa deliciosa de banana! Foi uma bagunça culinária, mas ficou gostoso! 
Beijos!

segunda-feira, 14 de março de 2011

A Casa

A casa tem sido um tema constante na minha vida nos ultimos tempos. Bom, em espanhol tem uma palavra que define a casa melhor do que "casa", é a vivienda. Lugar de viver. Minha matéria de projeto tem como tema a vivienda, e meu professor vive dizendo que é o projeto mais difícil de fazer. Museu? Centro cultural? Comercial? Que nada. Vai projetar um lugar onde as pessoas tem que viver intrinsicamente e verás o que é um desafio. Pra projetar uma casa a gente vê que é preciso entender muito bem como anda a vida das pessoas. Como andam as famílias, as relações hierárquicas com os empregados e serviços da casa, onde se come, reza, ama, essas coisas. 
Também estive pensando muito sobre a casa porque me mudei recentemente. Em Niterói sempre morei com meus pais e acho que não pensava muito em outras opções de moradia porque.. não tinha opção mesmo. Mas aqui, com todo um horizonte de opções, minha cabeça foi a mil. O que é realmente necessário que uma casa forneça, enquanto ambiente construido, pra gente ser feliz? Preciso de uma sala com muita luz?! Com vista pra onde?! Lavabo é necessário?! Quão pequeno pode ser um quarto?! Corredor é ruim?! Cozinha pode não ter forno?! E penduramos a roupa aonde?! Até que ponto pequenos incômodos no dia-a-dia podem se tornar uma pedra no sapato foram questões para às quais fui me atentando não só pra procurar um canto pra mim, como pra pensar um canto para os outros.
Acabei assentando-me num apartameno de três quartos, que divido com duas italianas, melhor ainda, palermitanas, e já estou sentindo a diferença de morar com os nórdicos belgas e alemãs com quem antes compartia minha casa. Pra quem já viu "Bienvenidos al sur" (não sei como vai ficar o título em português), sabe quem os italianos do sul são alegres, abertos e carinhosos, comem bem, dormem bem e gostam muito de café! hahahahaha
Aqui em casa os quartos são grandes, mas é a sala que sempre fica ocupada, com a televisão ligada agregando companhia mesmo quando estamos facebookando. Alias, isso foi um detalhe que me chamou muito a atenção, já que no meu apartameno anterior tínhamos uma tv na sala, mas eu acho que se foi ligada cinco vezes foi muito. Me dei conta de que no Brasil tínha 5, isso mesmo, cinco televisões na casa (uma em cada um dos tres quartos, uma sala e uma na cozinha!!!) e como ela fazia parte da nossa vida. Entre notícias no jornal, séries de tv ou qualquer bobagem, ter o hábito de ver tv foi uma das coisas que fez com que eu me sentisse mais em casa agora, levando uma vida caseira mais parecida com a que eu tinha na minha terrinha.  Que venha eramus parte 4 - sevilla versão italia. 
Nas próximas notícias espero que o vocabulário siciliano já não me pareça tão estrangeiro! hahahahaha


Ciao! 

quarta-feira, 2 de março de 2011

Quando a rua vira casa

Margens do Gualdaquivir
Nossa, como faz tempo que eu não escrevo aqui. Um mês, quase?! Tsc tsc, que isso não se repita! Nesse meio tempo muita coisa aconteceu, e pelo último post deu pra perceber que as coisas mudaram por aqui. De muitas formas na verdade. Das pessoas queridas e dos amigos mais especiais que fiz aqui, muitos terminarem sua jornada e voltaram pro Reino Encantado do Brasil, deixando os que ficaram com uma ambígua sensação de vazio, sem saber o que nos vai passar nesses próximos meses de reta final de Espanha. Ambuiguidade é o que falta nos nossos coraçõezinhos por agora.. ok, vou falar só por mim. O ano tardou mas virou, o segundo cuatrimestre finalmente começou e eu não sei se prevalesce a impressão de que o tempo tá passando e que um dia de fato eu vou voltar pra casa, ou se, pensando nisso, dar-me conta de que ainda faltam alguns bons meses. Serão cruciais. Vão definir os rumos da arquitetura que eu vou seguir no Brasil, os demais lugares dessa Europa que eu vou conhecer, as amizades que eu vou manter, seja aqui ou seja lá. 

Voltando à Sevilla, tenho que contar sobre duas coisas importantes que me aconteceram nesses ultimo mês. A primeira foi mudar de apartamento. Pois é, alguns meses depois de enfrentar transito pra ir e voltar da faculdade eu me dei conta de que tinha a faca e o queijo na mão pela primeira vez na vida pra mudar uma circutância estrutural que me incomodava, assim que, passada uma saga pela busca de um novo piso, consegui o que queria: ficar perto da faculdade, dos amigos, dos festejos e do rio. De quebra ainda caiu nas minhas mãos um quarto melhor, um ape mais legal e duas novas companheiras de piso italianas que são uns amores. 

A outra coisa foi viajar pra Viena pela segunda vez. Decidi ir porque janeiro foi um mes muito duro em Sevilla, com todo mundo estudando pros exames e o frio apertando, a saudade da família bateu forte e eu fui correndo pra casa da minha prima e passei logo todas as férias de inverno lá. Posso dizer que me apaixonei: Viena é depois de Sevilla a cidade mais legal que eu conheci aqui (afetos à parte! haha) e foi uma delícia poder conhecê-la melhor. Passei os dias ensolarados que fizeram por lá (pois é, a neve pelo visto não gosta de mim) estudando a obra do Gustav Klimt, um pintor modernista incomparável e do Coop Himmelb(l)au, um estúidio de arquitetura contemporanea. visitei museus fora do circuito turistico, comi bem, patinei no gelo numa pista que é quase uma mini-cidade, e de quebra ainda tive a oportunidade de reascender uma paixão: na casa da minha prima tem um piano!!!!! Nossa, como a música me faz falta..

Enfim voltem à Sevilla, renovada, pronta pra fase de adaptação ao novo piso e às despedidas dos amigos que voltaram pro Brasil. Fomos abeçoados com uma onda de calor que tomou conta da cidade no meio do inverno e lotou as orillas (margens) do Guadalquivir.
Hoje eu vou pras Ilhas Canárias, curtir um carnaval que dizerm assemelhar-se ao Brasil (a conferir) e ver o mar. Aaahhh, o mar! Até mais, gente! :D

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Despedidas: Adeus não, até logo!!!!!!!!!!!!

"Amigos são pra toda a vida"*


Não julguem que a amizade
Não existe.
Nem devem ficar deprimidos
Pois os que mais se calam
São os verdadeiros amigos.
Procurem dentro de vós, 
Analisem o vosso ser.
Não tenham medo,
De aprofundar
Verão que o amigo melhor
É o que soube calar.
Esse sim é o verdadeiro
Sois vós mesmos.
Os que não se conheciam
Depois de solidificados
Até ao maior inimigo
Conseguem dar amizade
Com maior alegria.
A amizade dá-se
Sem que a peçam.
O coração abre-se
Para que essa amizade entre
Tem que ter portas abertas.
Seja boa ou seja má
A pessoa escolhida pouco importa
Sentimos um impulso
No nosso coração
Quando nos bate à porta
Lembrem-se,
O invólucro não é tudo
Neste caso conta muito o conteúdo.
Amizade!
Como soa bem esta palavra,
Dar e receber
Sem se ter pedido nada".
*(Não sei quem escreveu, mas achei que caia bem!)


"o mundo gira, o mundo é uma bola"
Porque o mundo gira, e porque sem vocês esses primeiros seis meses não teriam sido tão especiais!
Amigos queridos! Obrigada por todos os momentos incríveis que passamos juntos!!

domingo, 16 de janeiro de 2011

La Cabalgata de los Reyes e o quase carnaval em Sevilla


Cayetano Martínez de Irujo, convertido en Rey Gaspar en la Cabalgata de Reyes 2011 de Sevilla
http://www.sevillaactualidad.com/noticias/sevilla/46-sociedad/8249-el-recorrido-de-la-cabalgata-2011-tendra-inicio-y-fin-en-el-rectorado-de-la-us.html
               Pausa no turismo pra comentar esse evento que por coincidência eu presenciei aqui em Sevilla. Explico: por aqui, não tem Papai Noel!!!!!! Pois é, nada disso, que trazem os presentes são os três Reis Magos, Belchior, Baltazar e Gaspar, que foram os que levaram os presentes ao menino jesus, então que vamos combinar faz até mais sentido.
Eu sabia que na España e na America Latina (não estou certa se em todos os países) o dia de Reis era quase mais importante que o próprio natal, e que haviam grandes celebrações, mas acho que nada podia me preparar pros festejos que vi por aqui. 
Por uma coincidência acabei parando em Sevilla dois dias (5 e 6 de janeiro) entre viagens, então fiquei sabendo que no dia 5 acontecia o desfile dos reis, que seria o momento em que eles estão chegando. Desfile?! Na minha terra isso tem outro nome!!!! As enormes estruturas a la trem elétricos sairam do centro às quatro horas, circularam pela cidade inteira e só voltaram lá pelas onze da noite. Cada rei vinha em um carro alegórico enorme, sendo que na frente vinham outros tantos carros, com várias criancinhas fantasiadas jogando os chamados caramelos (umas balas muito é duras) pelos ares, levando milhares de crianças ao delírio. Até carro do Bob Esponja e das Crônicas de Nárnia eu vi! As pessoas escolhem um ponto da cidade e ficam lá paradas a tarde inteira esperando os reis passagem. Um coisa linda. Eu fiquei na Calle Assunción, e confesso que de rei mesmo eu só vi o ultimo passar, mas achei o desfile todo lindo e ganhei uns bons caramelos na cabeça. 
Algumas curiosidades que eu descobri no blog da Glenda, uma arquiteta que mora aqui em Sevilla já faz um tempo e tem boas histórias pra contar:
Pra desfilar de rei tem que ser importante: esse ano o Belchior era o irmão maior de uma confraria (um alto cargo religoso), o Gaspar era o Conde de Salvatierra e o Baltazar um empresário.
Ao todo foram jogadas 50 toneladas de balas e doces (sendo que elas ficam grudadas pelo chão até que rapidamente são limpas!!).
Um coisa que eu fiquei intrigada e perguntei na rua: quem eram as crianças que estavam em cima dos carros alegóricos? Alguém me disse que elas se inscreviam em uma lista e acontecia um sorteio! Legal né?! Achei justo.
Resultado? uma festa linda, que colocou Sevilla nas ruas, fechando as celebrações de Natal e recebendo com alegria mais um ano que chega! \o/
Beijos!

sábado, 6 de novembro de 2010

El hilo de Ariadne, arquitectura y filosofia

Minotauro, yegua y Ariadne. Museo de Picaso en Paris. 
"No se vuelve a la simplicidad, como no 
se vuelve a la infancia; una vez en efervescencia el espíritu sigue así   
siempre, y quienquiera haya pensado pensará durante toda su vida. Esa es la 
mayor desdicha del estado de reflexión, que cuanto más se sienten sus males más  
se acrecientan, y todos nuestros esfuerzos por salir de ahí tan sólo nos dejan  
aún más empantanados." 
 (J. J. Rousseau) 

Este fué el primer extracto de texto que el profesor de Teoría de Arquitectura presentó en su clase. "No se vuelve a la simplicidad". La arquitectura es como un buceo.. a mi en eses meses en Sevilla es un buceo en la filosofia y en la reflexión. Confieso que a veces su clase me parece una sesión de terapia. "Una vez en la efervescencia el espíritu sigue así siempre".  ¿Que hacer con la efervescencia? ¿Proyectos?! ¿Espacializar un conocimiento? ¿Qué conocimiento? Con eso adentro una cuestión aún más interesante: la interpretación. La clave del conocimiento arquitectónico y que me pasó lejos en estudios previos. Situar-se en el mundo,  temporalmente y espacialmente es imprescindible para hacer arquitectura. ¿Porqué? Interpretación.. En la difícil - y porque no decir imposible - tarea de definir arquitectura, la que más me interesa de las discusiones que me fueron presentadas en Sevilla es la de una respuesta espacial a la cuestión fundamental de nuestro tiempo. Para que eso sea hecho de una manera eficaz no se puede pasar por el mundo sin leerlo atentamente.  ¡Despiertate! Intenta distinguir la esencia de la apariencia y quizás llegue más cerca de la respuesta. Lo puede hacer, me han dicho, con la interpretación. ¿Hermenéutica, conoces? Google it: "La hermenéutica (del griego ερμηνευτική τέχνη, hermeneutiké tejne, "arte de explicar, traducir, o interpretar") es el conocimiento y arte de la interpretación, sobre todo de textos, para determinar el significado exacto de las palabras mediante las cuales se ha expresado un pensamiento." 
Es más, en verdad. Es la compleja tarea de establecer el sentido auténtico de las cosas, el sentido inmueble. Complejidad y contradicción, escribió Venturi acerca de la arqucitetura en 1966 y con este libro hice un marco en la reflexión arquitectónica del siglo  XX. No se vuelve a la simplicidad, no te olvides. Sino que ahora su (mi) tarea es de leer. No solo textos, no solo imágenes, sino que la realidad. ¿Complejo, han? No estaría aquí si no lo fuese, creo. Hacer un buceo por un universo que no se puede más ignorar: si quieres hacer arquitectura en la contemporaneidad, hay que leerla, hay que saber cual es la clave de nuestro tiempo, establecer la pregunta a que quieres responder.  
El filósofo y matemático colombiano Fernando Zalamea Traba (Bogotá, 1959), lo hace en su libro "Ariadne y Penélope“. El ensayo se articula alrededor de siete capítulos dispuestos en una red abierta: un panorama inicial —Desorientación— y tres pares dialécticos —Apocalipsis/Lógicas; Redes/Mixturas; Visión/Pragmática— se subsumen progresivamente los unos en los otros. Los diagramas no lineales y las redes complejas del mundo contemporáneo alternadamente se decantan y se entrelazan, en medio de contrapuntos de la razón, de la sensibilidad y de un tirante vaivén entre análisis y síntesis.”  (extracto de la introducción del libro)
Al caminar por el laberinto con un hilo, Ariadne lo dota de forma. Identifica, analiza, interpreta. Se puede decir que es la primera arquitecta. 
Ariadne y Penélope son dos figuras femeninas de la mitología, si no te acuerdas de sus histórias, búsquelas para entender la analogía con la complejidad de nuestro mundo y como Zalamea hace casi poéticamente una interpretación de la realidad y crea un importante libro a los arquitectos, sin hablar de arquitectura.  Todo eso es sólo un principio de las discusiones arquitectónicas que me sorprendieran el la universidad. Me encanta  imaginar que más me van a presentar y qué sorpresas más encontraré por aquí.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Diarios de una bicicleta

Hola a todos, este es un primer intento de escribir aqui en español, a pedidos de una estimada amiga de Polonia, que hace un gran esfuerzo para compreender lo que escribo en portugués. Así que de princípio pido disculpas por los errores, es que aún estoy a estudiar la lengua. 
Por mucho tiempo estuve a pensar lo que podría escribir y luego en la ultima semana ocurrió algo que hice un cambio en mis dias aquí en Sevilla, así que es sobre la Sevici que voy a escribir. Lo que pasa es que en mi vida en Niterói estoy siempre presa en el autobús, todos los dias, al menos 2 horas. Me quedo cansada y muy aburrida, y tenía casi como un sueño de vivir en una ciudad dónde yo podría ir de bici a la universidad y todo. Mi tarjeta de Sevici todavía no ha llegado, y desde de que llegué a Sevilla estaba en la misma situación: presa en el autobus, con una sensación muy muy aburrida de pasividad. En esta semana que pasó decidí hacer el abono de corta duración, de una semana sólo, para ver lo que pasaba. iÉs increíble! Si te vas por el centro es posible llegar de la Alameda hasta el Prado en diez minutos! Si hace calor, el viento te refresca, si hace frio el movimiento te calienta. Tu siente dueño de tu dirección. Hacía muchos y muchos años que yo no tenía una bici en Brasil y luego estoy encantada en vivir la ciudad de bici. Es muy impresionante como puedes comprender mejor lo que pasa a su alrededor, es decir, la velocidad te permite observar el paisaje sin quedarte aburrido o cansado como en el autobús o caminando. Tu estas en la altura de las personas y puede guiarte por el camino que te parezca mejor, cambiando de dirección siempre que ves algo interesante. Tu coges a cualquiera estación, y ahí está.
Ahora para mis amigas de Brasil que me pidieron para explicar como funciona el sistema de las bicicletas públicas, que ahora para mi ya es tan claro pero que para quien no conoces el algo muy curioso. Es así: por toda Sevilla hay estaciones de Sevici, y tu si tiene una tarjeta o un abono de corta duración puede pulsar el código y una contraseña y luego elegir la bici que más te parece bien. Tu puede no tener suerte y no haber bicis en la estación, u luego tu tiene que caminar hasta la próxima. O también puede ocurrir que las bicis estén rotas, sin "guidon" o asiento. Un  otro problema es que cuándo tu llegues a tu destino y vas a dejar su bici, no haya plaza en la estación, luego que tiene que buscar una estación para dejarla. Es importante atentarse al tiempo: tu tienes media hora para dejar tu bici, sin embargo esto no es un problema una vez que en Sevilla tu puedes llegar a casi cualquier lugar en media hora. 
Una curiosidad: en el último día de mi abono de corta duración, yo me cayé de la bici al intentar una curva muy cerrada y luego me duele la mano y la tengo vendada. Tuve que ir a un hospital, pero no pasa nada, ahora estoy muy bien. Así mismo tengo que cuidarme! Con esta mano no puedo coger más Sevicis por algunos dias =/
Sin embargo, no entiendo como una ciudad no como Niterói no tiene un sistema como ese, fácil y eficiente. Aquí está el sítio web para quién quiera conocer más: www.sevici.es.
Besos! en el próximo post cambio al portugués! ;D

sábado, 23 de outubro de 2010

Escuela Técnica Superior de Arquitetura de Sevilla

Fachada do prédio novo
Êei, quanto tempo que não escrevo aqui, certo?! Me desculpem, estive um pouco ocupada desde que voltei de Viena, e vá lá, negligente também. Estou devendo um post sobre a faculdade, eu sei, e aqui vai! Afinal, as aulas já começaram, e os erasmus também estudam! A ETSAS (abreviação do nome da faculdade, que está ali no título) é bem grande: são quase quatro mil alunos, enquanto que de onde venho são quatrocentos, por aí percebe-se a minha surpresa com as dimensões das salas de aula e o número de estudantes. Por conta desse tanto de gente, a faculdade tem uma estrutura de matérias e cursos um tanto quanto específica: para cada asignatura (disciplina) há alguns grupos temáticos, podendo chegar a seis nas turmas de projeto, e cada grupo pode ter uns três professores. Imagina então como ficam os estrangeiros, nesse mar de opções, as vezes nem falando a língua direito. O legal é que logo na entrada fica um posto de ajuda aso erasmus, com dois alunos do último ano que falam espanhol E inglês (o que pode se considerar um tanto quanto raro) para explicar sobre os professores e essa coisa dos grupos. Veja, há uma tabela para cada ano (sim, a maioria das disciplinas são anuais e eles contam o ano acadêmico por inteiro, são cinco ao total) na qual indicam as matérias que são de manhã, as que são à tarde, o número da sala, os horários e durações das aulas.  Alguém entendeu?! Nos primeiros dias de aula o que não faltava era gente entrando na sala errada ou com o professor errado.  Pra mim foi até bom, acabei gostando muito mais do professor que eu vi primeiro (na turma errada) e depois fiz uma troca na matrícula. Há um prazo bem grande para fazer mudanças na sua inscrição, e muita gente optou por nos primeiros dias ir assistindo várias aulas pra ver qual gostava mais, mas havia o risco de não haver vaga quando de fato a pessoa fosse se inscrever. Isso é uma particularidade do curso de arquitetura e belas artes, porque muitas vezes são necessários mais do que uma cadeira em aula (nas de projeto, por exemplo, as mesas não podem ser muito pequenas) então a limitação de espaço recai sobre o número de vagas. 
No geral a organização do curso é parecida em todo lugar: há matérias de projeto, de estruturas, de materiais, de teoria, história, etc. Eu procurei aqui focar naquilo que eu acho que não foi muito bem ensinado na uff, ou em temas que me interessam e que gostaria de me aprofundar. Por fim, fiquei com Proyectos 4, Composición e Teoria de Arquitetura, além de uma optativa de palestras, onde prometeram Siza e Moneo (!!!).
Cada matéria me surpreendeu de uma forma: em projeto, a metodologia é oposta ao que estava acostumada na UFF, que é bastante intimista, com uma turma de no máximo 20 alunos. Na minha turma aqui são 110 alunos (não é brincadeira, são 110!!) e meus professores optaram por não dividir os alunos entre os três, como é o normal, então ficamos todos numa grande sala, projetando em duplas, enquanto os professores vão percorrendo as mesas e analisando os projetos, com outros quinze alunos em pé atras ouvindo seus comentários. As vezes temos aulas teóricas, odne abordam temas bastante conceituais e abstratos em projeto, o que eu gosto muito. 
Composición é uma matéria que eu nunca tinha ouvido falar de coisa parecida: é como uma teoria, mas aplicada; é na verdade um auxílio direto à projeto, na qual se estuda interpretação. A lógica seria essa: Teoria é interpretação de textos; Composición seria interpretação de imagens. O professor é excelente e tem umas sacadas filosóficas muito interessantes sobre o posicionamento do arquiteto no mundo de hoje, do papel da arquitetura, de suas possibilidades de comunicação e interação com a sociedade.. enfim, outro dia faço um post sobre arquitetura de verdade. 
A sala de leitura da biblioteca
Por último (mas não menos importante!), a aula de Teoria é mesmo uma aula, e não a enrolação que eu tive na UFF. Estudamos as idéias de arquitetos contemporâneos (os professores aqui adoram Koolhaas, Siza, Eisenmann e Moneo, dentre outros), mas vamos além: analisamos a estrutura textual, a forma de se expressar, o posicionamento das idéias, e de quebra saímos dos textos e lemos seus projetos também.  
É muito legal ver como a faculdade é viva. Os alunos estão por toda parte, lotando até mesmo aquele lugar que quase sempre fica relegado às moscas (pelo menos no rio!) - a biblioteca!!!!! Equipada com tomadas na sala de leituras, que como na foto ao lado fica cheia de notebooks, uma enormidade de livros, catalogados no portal online, e um acervo de filmes! Isso mesmo! 
Também há serviço de xérox e scanner. Os computadores com acesso à internet estão na entrada, mas não há cadeiras, eles ficam posicionados de forma que você os utilize de pé, ou seja, não por muito tempo, dando vez a outro que não levou seu próprio computador para ter acesso grátis à internet. 
Esse movimento de alunos pode-se ver desde a entrada: o hall é grande, iluminado, e cheio de informações: há quadros por toda parte com cartazes de todo tipo de evento, uma televisão onde são expostos trabalhos e notícias sobre as matérias, e ainda ontem colocaram um telão enorme junto à uma exposição sobre um a viagem de uns alunos e um trabalho realizado em marrocos. Com direito à música e tudo! Há também um laboratório/grupo de pesquisa em informática e desenho parmétrico que expões essas esculturas loucas por todos andares, cenografia que faz a escola de arquitetura ter cara de escola de arquitetura.

Uma curiosidade é o vocabulário universitário e a infinidade de falsos cognatos. Pra quem achava que brasileiro tirava de letra o querido idioma espanhol, olha isso:


(Português - espanhol)
Andar - planta.
Sala de aula - aula
Ano acadêmico - curso
Primeiro andar - planta baja (vale lembrar que em arquitetura planta baixa é um tipo de desenho técnico!)


Segundo andar - primeira planta (e assim por diante)
Matéria - asignatura
Assinatura - firma
(Sem contar os tradicionais apartamento - piso; piso - suelo; quarto - habitación; cuarto de baño - banheiro; que já fazem parte de nossso dia-a-dia..)
Que te interes de la lengua para que pueda comprender a todos, vale?!
Hasta luego, amigos!