Parêntesis na Semana Santa pra registrar um acontecimento da semana passada: um protesto de estudantes na faculdade, que hj eu consegui as fotos da Luana que estrategicamente tinha sua máquina em mãos naquela tarde. Foi assim: estávamos na aula ouvindo uma barulheira enorme, e quando saímos vimos todos os aparejadores na rua gritando e marchando rumo à reitoria. Aos poucos fomos nos inteirando do que se passava. Acontece que aqui na Espanha, a Escola Técnica Superior de Arquitetura oferece uma formação super completa aos estudantes, que comparado aos cursos do Brasil é quase uma soma de Arquitetura e Engenharia Civil, à exceção de alguns temas que ficaram por conta de uma outra escola vizinha, que primeiro se chamou Escuela de Aparejadores, depois Arquitectura Técnica, e por fim, recentemente, ganhou o título de Ingeniería de Edificaciones, o que os deixou muito cheio de orgulho de finalmente serem chamados de engenheiros. Acontece que, estavam querendo tirar o título deles, ("só da gente!") sendo que todas as demais engenharias continuariam formando seus "engenheiros". Bastou pra que todos os alunos se juntassem num protesto desde o campus da Reina Mercedes, onde fica sua Escola, até a Reitoria, parando o trânsito numa avenida importante da cidade, e atraindo uns muitos carros de polícia. "Mano arriba, esto es un atasco!", y "Industriales, hijos de puta!" foram algumas das coisas que eu ouvi, sendo que o reitor é um engenheiro industrial e não parecia ter abraçado a causa, mesmo sendo o único que podería fazer alguma coisa no âmbito Sevilla.
Cervejas na mão, escolta de policiais, e algumas horas depois tudo se acabou, mas legal foi ver a quantidade de alunos se juntando pela causa!
Inge-nieros! Inge-nieros!
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segunda-feira, 18 de abril de 2011
terça-feira, 29 de março de 2011
O BRASIL TÁ NO AR!!
Pequeno post para parabenizar à Berni, Pablo e Natalie que conseguiram bolsas pra estudar arquitetura no Brasil. Os dois primeiros são espanhóis, sendo que o Berni tá vendo se vai pra São Carlos-SP, e o Pablo pra SALVADOOOOOOOOOOO!! Legal demais.
A Natalie é belga e conseguiu uma bolsa sabe pra onde?!
FAU-UFRJ!!!!! Gente, imagina uma belga que nem espanhol fala solta no Rio!!!! Espero que ela de fato vá, aprenda portugues e eu possa apresentá-la a todos os meus queridos amigos que estão por aí!!!
Eu acho que a experiencia de estudar num exterior é extremamente interessante e digamos assim exótica, mas acho que nem se compara com o que deve ser pra um aluno estrangeiro estudar lá!! O Pablo e a Natalie nem de cidades grandes européias (que vamos combinar, são bem pequenas) vieram, eles são de pueblos! Os tais povoados ou cidades pequenas que enviam alunos e mais alunos pras cidades universitárias, como Sevilla.
Não é de agora que eu tenho reparado como o Brasil tá bombando!!! Outro dia ouvi no onibus um garoto contando ao seu amigo seus planos de ganhar a vida onde ela realmente promete - Brasil. Meu professor de projeto já falou que trabalho aqui tá dificil e que ele queria mesmo é ir para o... Brasil. O de teoria visitou São Paulo e me contava maravilhado como se tivesse ido pra marte (tantos rascacielos!!) , e o de composição já até publicou numa revista de um grupo de pesquisa brasileiro - o Nomads de São Carlos, pra onde deve ir o Berni e onde eu mesma estive fazendo um workshop anos atras.
É, o mundo gira, o mundo é uma bola.
Tomara mesmo que eles consigam ir, vai ser um ano muito divertido :D
sábado, 23 de outubro de 2010
Escuela Técnica Superior de Arquitetura de Sevilla
| Fachada do prédio novo |
No geral a organização do curso é parecida em todo lugar: há matérias de projeto, de estruturas, de materiais, de teoria, história, etc. Eu procurei aqui focar naquilo que eu acho que não foi muito bem ensinado na uff, ou em temas que me interessam e que gostaria de me aprofundar. Por fim, fiquei com Proyectos 4, Composición e Teoria de Arquitetura, além de uma optativa de palestras, onde prometeram Siza e Moneo (!!!).
Cada matéria me surpreendeu de uma forma: em projeto, a metodologia é oposta ao que estava acostumada na UFF, que é bastante intimista, com uma turma de no máximo 20 alunos. Na minha turma aqui são 110 alunos (não é brincadeira, são 110!!) e meus professores optaram por não dividir os alunos entre os três, como é o normal, então ficamos todos numa grande sala, projetando em duplas, enquanto os professores vão percorrendo as mesas e analisando os projetos, com outros quinze alunos em pé atras ouvindo seus comentários. As vezes temos aulas teóricas, odne abordam temas bastante conceituais e abstratos em projeto, o que eu gosto muito.
Composición é uma matéria que eu nunca tinha ouvido falar de coisa parecida: é como uma teoria, mas aplicada; é na verdade um auxílio direto à projeto, na qual se estuda interpretação. A lógica seria essa: Teoria é interpretação de textos; Composición seria interpretação de imagens. O professor é excelente e tem umas sacadas filosóficas muito interessantes sobre o posicionamento do arquiteto no mundo de hoje, do papel da arquitetura, de suas possibilidades de comunicação e interação com a sociedade.. enfim, outro dia faço um post sobre arquitetura de verdade.
| A sala de leitura da biblioteca |
É muito legal ver como a faculdade é viva. Os alunos estão por toda parte, lotando até mesmo aquele lugar que quase sempre fica relegado às moscas (pelo menos no rio!) - a biblioteca!!!!! Equipada com tomadas na sala de leituras, que como na foto ao lado fica cheia de notebooks, uma enormidade de livros, catalogados no portal online, e um acervo de filmes! Isso mesmo!
Também há serviço de xérox e scanner. Os computadores com acesso à internet estão na entrada, mas não há cadeiras, eles ficam posicionados de forma que você os utilize de pé, ou seja, não por muito tempo, dando vez a outro que não levou seu próprio computador para ter acesso grátis à internet.
Esse movimento de alunos pode-se ver desde a entrada: o hall é grande, iluminado, e cheio de informações: há quadros por toda parte com cartazes de todo tipo de evento, uma televisão onde são expostos trabalhos e notícias sobre as matérias, e ainda ontem colocaram um telão enorme junto à uma exposição sobre um a viagem de uns alunos e um trabalho realizado em marrocos. Com direito à música e tudo! Há também um laboratório/grupo de pesquisa em informática e desenho parmétrico que expões essas esculturas loucas por todos andares, cenografia que faz a escola de arquitetura ter cara de escola de arquitetura.
Uma curiosidade é o vocabulário universitário e a infinidade de falsos cognatos. Pra quem achava que brasileiro tirava de letra o querido idioma espanhol, olha isso:
(Português - espanhol)
Andar - planta.
Sala de aula - aula
Ano acadêmico - curso
Primeiro andar - planta baja (vale lembrar que em arquitetura planta baixa é um tipo de desenho técnico!)
Segundo andar - primeira planta (e assim por diante)
Matéria - asignatura
Assinatura - firma
(Sem contar os tradicionais apartamento - piso; piso - suelo; quarto - habitación; cuarto de baño - banheiro; que já fazem parte de nossso dia-a-dia..)
Que te interes de la lengua para que pueda comprender a todos, vale?!
Hasta luego, amigos!
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Arquitetura, viagem e o tempo
Caetano Veloso cantou sobre o tempo:
"És um senhor tão bonito, quanto a cara do meu filho. Tempo tempo tempo tempo, vou te fazer um pedido, compositor de destinos, tambor de todos os rítmos. Entro num acordo contigo: por seres tão inventivo, e pareceres contínuo, és um dos deuses mais lindos. Tempo tempo tempo tempo, que sejas ainda mais vivo, no som do meu estribilho. Ouve bem o que te digo, peço-te o prazer legítimo, e o movimento preciso. Quando o tempo for propício, de modo que o meu espírito ganhe um brilho definido e eu espalhe benefícios. O que usaremos prá isso fica guardado em sigilo apenas contigo e comigo. E quando eu tiver saído, para fora do teu círculo, tempo tempo tempo tempo, não serei nem terás sido. Ainda assim acredito ser possível reunirmo-nos num outro nível de vínculo. Portanto peço-te aquilo, e te ofereço elogios nas rimas do meu estilo, tempo tempo tempo tempo..."
- Oração ao Tempo -
Logo que eu cheguei aqui uma amiga do Brasil me perguntou como eu estava sentindo a passagem do tempo: rápido, devagar. Não consegui responder, mas achei a questão mais interessante do que as tradicionais perguntas sobre o fuso horário ou sobre a diferença de temperatura. Agora, que o tal tempo de alguma forma se assentou, acho que consigo ter alguma idéia formada a respeito, ainda que disforme.
Ainda não fez um mês que chegamos, mas o começo das aulas deu uma sacudida boa na rotina: levei um susto ao perceber que sim, a vida de turista/férias/não sei definir está para acabar! A rotina vai de vez ser implantada, com carteiras, professores, leituras e desenhos, e o autocad vai voltar a fazer parte da minha vida. Não sei porque isso me pareceu tão estranho, como se esse cotidiano pertencesse à um universo paralelo que eu deixei lá do outro lado do oceano. Bom, acho q contribiu o fato de eu ter tido as férias de meio de ano mais longas de todos os tempos: de julho a setembro, foram dois meses e meio de preparações, burocracias, malas, ansiedade, estágio, férias, animação, aviões, apartamentos, línguas e pessoas muito diferentes.
Ainda que a vida "real" - odeio esse termo com todas as forças - se estabeleça, espero que ela venha com calma, ritmada, e me conforto ao pensar que por mais brasileira a rotina de estudante seja, sempre vou ter o espanhol, as viagens, a qualidade do ensino e todo o resto, pra me lembrar que estou cá longe.
Además de eso (é, tá dificil pensar o tempo todo em portugês, o español se entranha cada vez mais) o tempo se manifesta das mais diversas formas, como nas perguntas comuns que me fazem, e acabam inevitavelmente mexendo com o nosso dia-adia. O frio chega à Sevilla e assusta à nós brasileiros, que colocamos lenços à noite e ganhamos risadas dos belgas acostumados ao inverno de verdade. O fuso pra mim não fez diferença na rotina, mas faz na hora de matar as saudades: os cariocas entram no msn quando aqui é alta madrugada, e quando e estou com tempo livre, estão todos trabalhando. Assim a distância aumenta e a saudade aperta. Galera, vamos baixar o skype, por favor?! Brigada.
Um das considerações sobre o tempo mais interessantes que ouvi, nesses dias, veio é claro de uma aula: Composición - interpretación de la arquitectura contemporánea, e um discurso muito intenso sobre a relação da passagem do tempo, da cultura e da interpretação, ou seja, leitura, dos edifícios, do cenário que está por toda a parte. Dá vontade de ir à aula, não dá?! Dá medo também. Bom, de qualquer forma ainda estou escolhendo as matérias e vendo o que de fato vou estudar. Aguardo e verei, acho, e quando souber, conto aqui.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Bienvenidos, Erasmus!

Hoje teve a reunião de boas vindas aos estudantes Erasmus. Esse é programa de intercâmbio acadêmico da Europa, e, como eu sou do Brasil, na verdade o meu intercâmbio fica sendo como "Acuerdo Bilateral" mesmo, mas como o Erasmus é um programa bem popular, a gente acaba se chamando assim também.
Bom, depois de atravessar o Rio Guadalquivir e conhecer a parte nova (e, diga-se de passagem, bem esquisita) de Sevilla, encontramos o prédio da Escola de engenharia, grande, pomposo e vermelho, onde ficava o auditório grande o sufuciente pra caber os 2 mil alunos (!) estranjeiros na Univerdade de Sevilla.
O hall estava divertidíssimo, parecia primeiro dia de faculdade, sabe como?! Início do trote?! Um monte de estudantes, com as caras mais variadas (e, nesse caso, pôe variadas nisso!), com as roupas mais diversas e falando todas as linguas do mundo. Luana e eu estamos com o desconfiômetro brasileiro afiado, e ficamos tentando identificar as caras de longe, mas tinha um garoto que fez questão de denunciar-se: estava com uma camisa verde bandeira e um boné amarelo. Pois é.
O evento começou bem, com um monte de gente importante dizendo que era muito importante pra Universidade de Sevilla receber alunos de fora, e dizendo que agora somos parte dela e tal, mas no final ficou bem chato, com alguém explicando o processo burocrático de matrícula. O que salvou foi essa pessoa terminando sua fala dizendo como os sevillanos sabem aproveitar a vida! Pronto, acordou no susto todos os erasmus que estavam quase dormindo (eu inclusive). Disse que não importa o dia da semana, os bares ficam cheios de gente até tipo 1 da manhã, e que nem por isso eles deixam de trabalhar ou de cumprir com suas obrigações. E nós brasileiros achando que sabíamos o que era bom!
Na saída ainda conhecemos alguns brasileiros, uma francesa muito simpática e uma italiana que nunca tinha estudado espanhol. Haja coragem!
Depois de passar muitos dias organizando a vida e turistando, confesso pra todos que me perguntaram se eu tinha esquecido da universidade que fiquei animada pra que as aulas comecem logo, para conhecer mais gente e entrar no clima Erasmus!
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