Mostrando postagens com marcador Dia-a-dia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dia-a-dia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Até hoje foi sempre futuro

"Ai, ai, ai aaaaaii, tá chegando a hora! O dia já vem, raiando meu bem, eu tenho que ir embora!"


Bati o recorde mais uma vez. Passou praticamente um mês desde meu último post, infelizmente. Hoje é meu último dia em Sevilla, minha última noite aqui na minha casa.  O último mês foi corrido: meu irmão veio me visitar, eu terminei as atividades da faculdade, e viajei para alguns lugares fantásticos. O blog, durante esse ano todo, foi uma boa forma que eu encontrei de desabafar um pouco e compartilhar tudo que andou passando comigo. Foram uns 50 posts e mais de três mil visitas, e valeu muito a pena. Amanhã começo a primeira parte da grande viagem final, e não sei como vai ficar meu acesso à internet, então por hora fecho as portas oficialmente, deixando uma fresta aberta pra um prólogo, ou "o que aconteceu com Luísa depois de dar a volta ao mundo em 80 dias".
Pra tentar compensar um pouco a ultima ausencia, aí vai um an passant dos últimos acontecimentos:

Depois de nove meses de comunicação via uma tela, o Gabriel, meu irmão gêmeo, veio me visitar!!! El Gemelito fez o maior sucesso, conheceu meus amigos, apreciou minha desenvolta culinária, turistou e fizemos muita festa juntos. Foi uma semaninha curta mas muito divertida, que acabou em Madrid, de onde saía seu voo de volta para o Brasil. Te amo, Ga!
De Madrid eu peguei um võo pro Porto, em Portugal, ter uma aula de arquitetura com o Álvaro Siza, principal arquiteto português, Souto de Moura, seu discípulo e recente ganhador do Pritzker, o "Oscar" da arquitetura, e o Rem Koolhaas, arquiteto holandês que tem esse projeto aí da foto - a Casa da Música - no centro da cidade (Na foto, a primeira vista que eu tive do projeto, saindo da estação de metrô que leva seu nome). É asustador. Eu passei o ano estudando o Siza e o Koolhaas aqui em Sevilla e de verdade foram dois dias de aulas de arquitetura viva. Casa linha do desenho desses arquitetos tem um sentido, e as suas obras quase que falam. 
Além disso, estar em Portugal foi uma emoção à parte. Fazia tempo que eu não me comunicava livremente em português (falar com os brasileiros aqui de Sevilla não conta! haha) e lia "ç" e "ão" por todo canto. De certa forma a proximidade com o Brasil e com a minha volta mexeram um pouco comigo, sabendo que tá muito próximo o finzinho aqui, mas enfim, o encanto com essa cidade me animou, foi uma das mais bonitas que já vi por aqui.
E, por fim, a aventura mais esperada da Europa: ir pro Marrocos fazer uma excursão ao deserto.. haha. Não tenho como narrar todas as coisas que vi e ouvi por alí, fosse no barulho de Marrakech, fosse no silêncio do deserto em Merzuga, fronteira do Marrocos com a Argélia. As cores intensas, a caligrafia delicada, o dinheiro que vale tão pouco, as crianças pedindo dinheiro, as mulheres de cabelos escondidos. Os berbers, nômades do deserto que mal sabem sua idade mas falam uns cinco idiomas, conscientes de que comunicar-se é uma forma de sobrevivência. O calor quase carioca, a cor sempre rosa das construcôes, a mimesis com a natureza, a arquitetura sempre presente. A simpatia das pessoas, o desespero das pessoas. As dunas infinitas, o mar de areia. Foram mais ou menos quatro dias e meio nesse país, mas bastou pra perceber que ficou muita coisa por ver. Que bom, fica uma desculpa pra voltar.

Então, por fim, acabou. Sabe aquela música, é só isso, não tem mais jeito, acabou, boa sorte? Impossível não lembrar. Mas eu prefiro guardar com carinho o título desse post, que eu ouvi de um italiano que se foi de intercâmbio em portugal, e entendeu assim sua experiência: até hoje foi sempre futuro. Não sei quando a ficha vai cair de tudo o que passou, mas o sentimento de alegria e aprendizado vão ficar pra sempre. 

Serão muitos dias de viagens antes de voltar ao Brasil, e espero realmente ter tempo pra ir contando as aventuras por aqui. 

Um beijo pra todos os que me acompanharam aqui, lendo, comentando, me apoiando!

Hasta la vista, baby! 

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Carioca, brasileira, americana; terrestre?

Que o intercâmbio é uma oportunidade de se conhecer melhor, uma vez que você está longe de casa, amigos e família, todo mundo sabe. Mas aqui descobri que o intercâmbio é também uma oportunidade de re-conhecimento. Assim,  meu professor de composição (que é o que mais me faz pensar sobre a arquitetura, a vida e o mundo mundial) disse outro dia em classe: "sólo eres tu cuando reconoce tu exterioridad". O que isso quer dizer, pelo que eu entendi, é que entender algo, identificar, nomear e etc, é um processo também de identificar seu lugar/posição no mundo e seus limites. Definir uma coisa por aquilo que ela não é (como a clássica 1ºaula de urbanismo em que se define cidade como o contrário de campo) é um já batido também.
Assim que, realizar que o seu lugar no mundo de certa forma também define quem você é, é bem interessante.
Já sabia antes de vir que a europa tinha cidades bem antigas, que as pessoas eram muito cuidadosas com a cidade, que na Itália se come pasta e na França crepes.. e outros clichês. Mas tive que (vi)ver de perto os europeus e suas cidades pra entender porque no Brasil temos menos cuidado. Entender que uma cidade é grande quando tem 500 mil habitantes e 2000 anos de história e que isso cria(??) pessoas diferentes das de cidades com 5 milhoes de habitantes e 200 anos de história. 
No Brasil, americano é quem nasceu nos Estados Unidos (da América), certo? Errado. Aqui, pela primeira vez me senti americana, fruto de um modo de viver e de construir altamente capitalista, globalizado e veloz. É, o ritmo do velho mundo é mesmo outro. Mudar? É fácil mudar de ritmo com um rio, uma giralda, e um tempo demasiado grande entre almoço e noite. Restaria saber como vai ser a volta, mas nela eu não vou pensar, já resolvi.
Outra coisa muito legal foi enxergar minha cariquiocidade  com outros olhos (ainda que eu viva em Niterói há mais de dez anos) e que meu sotaque não seja assim tão forte (aham, cláudia). Mas conviver com brasileiros de todas as partes do brasil menos do Rio me fizeram estranhar meu próprio S, e conhecer melhor os quatro cantos do meu próprio canto. Um outro professor meu do rio (sim, eu presto atenção nos meus professores.. haha) que era gaúcho, disse que quando estava em Londres fazendo doutorado também percebeu o quanto sua gaucheza fazia parte dele. Hj eu o entendo. Há gestos, atitudes e modos que só um carioca faria, ou só um baiano, ou só um palermitano, es decir. 
Cada um no seu quadrado? ainda bem que brincamos de nos (re)conhecer, e aprendemos tanto com isso.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Mudaram as estações (nada mudou)

"Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar, que tudo era pra sempre, sem saber que o pra sempre sempre acaba?"
(Por Enquanto, Cassia Eller)


Só pra que, se antes a sensação era de "tá acabando!" agora já virou "já acabou". Já faço listas de lugares de Sevilla que eu ainda não conheci, comecei a fotografar cada esquina que vejo, e me dou conta de que me faltam duas semanas pra terminar todos os meus trabalhos, até que chegue meu irmão e as entregas. Já cruzo a ponte olhando o rio e pensando "não quero ir!"
Só não termino com "estamos indo de volta pra casa", porque seria uma mentira.


Opto por terminar com um poema de um livro que minha mãe me deu quando eu era criança (não lembro a idade!) e nunca me esqueci, e acho o finalzinho um tanto quanto pertinente.


"Um aviador irlandês prevê sua morte
Nas nuvens, perdido, em seu meio,
Que sina me aguarda estou vendo;
Quem vou combater não odeio,
Não amo a quem defendo.
É Kiltartan Cross minha terra,
Minha gente, os pobres de lá,
Seu mal não finda o fim da guerra
E nem mais feliz a fará.
Não luto por lei, por dever,
Políticos, povo, escarcéu:
Impulso só meu de prazer
Me trouxe ao tumulto do céu.
A mente os cálculos faz:
À frente não tendo o que importe,
Nem tendo o que importe por trás,
Compensa esta vida esta morte.


D.W.Yeats

Tradução de Paulo Vizioli, no livro Poemas (Companhia das Letras, 1991)

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Moda em estações (in)definidas

Na minha terra é assim: no inverno a gente usa calça jeans, casaco (cujo tecido mais grosso é o.. jeans?) e sapatilha. No verão a gente usa sandália, saia, short e blusa sem manga. E é suficiente.
Bastou eu cruzar o oceano pra  mergulhar num oceano de acessorios que acompanham a passagem das estações e truques pra sobreviver à todas elas, como o incrível princípio da cebola, no inverno. 
A chegada em Sevilla foi ótima: saí do inverno carioca (oi?) de 20ºC pro verão Sevillano, me sentindo em casa: andava pelas ruas de short e havaiana.

Verão em Cadiz - pernas e braços de fora, cablo preso!



E chegou o outono! Sobreposições,
lenços e calça comprida
Mas outubro chegou, o sol deu adeus, e no terceiro mês que eu passei em Sevilla tendo que comprar roupas confesso que levei um susto: até quando minhas guarda-roupa brasileiro ia continuar inadequado pro clima europeu?? Quando eu compava uma blusa de manga curta, passava duas semanas pra ela ser inutilizada. Ok, compro uma de manga comprida. Oi? Ok, um casaquinho pra noite. Naaada disso!
Passei um tempo dormindo com calça de ginástica (e quem disse que eu tinha pijama de calça comprida?) e casaco, mas de fato foi Londres que me fez entender que o frio não algo com que se brinca: há que estar preparado. Foi a primeira grande viagem pro "exterior" e foi quando a crueldade do inverno deu as caras (e isso porque ainda estávamos no outono!!!). Pra me preparar, fui no outlet da outlet da Zara, comprei um casaco de chuva sensacional por 15 euros e me senti garantida. Ou quase.. me disseram que lá chovia todo santo dia e que um ítem indispensável era a famosa bota galocha, quase uma havaiana para os brasileiros. Acontece que era nossa primeira viagem de Ryanair, e.. quem disse que eu ia levar algum outro calçado na minha humilde malinha de 50L? Resultado: cinco dias com o pé metido num bota até o joelho e congelando. Ok, aprendi. O que eu sei é que frio é o que eu passei em Sevilla, o que eu senti em londres, ainda não inventaram nome!!
Inverno em Viena - lição aprendida, de casaco, gorro, luva de couro , calça e bota!

Ok, voltando, esse post não é pra falar do frio, mas sim como a mudança das estações se refletiu no meu armário. Passados os festejos de fim de ano, o inverno continuou maltratando e me fazendo circular por aí com meia calça, calça de ginástica e calça jeans por cima (eis o princípio da cebola), impedindo meus movimentos e me fazendo esquecer da cor do meu.. pé.
Os lenços da outono foram substituidos por grossos cachecóis e as blusas sem manga foram guardadas na mala - não fazia sentido ficar ocupando o armário à toa. 
Quase que por milagre fomos presenteados com duas ondas de calor: uma no começo de janeiro e uma no meio de fevereiro, essa última com termômetros alcançando mais de 30ºC e fazendo todo mundo acreditar que a primavera tinha chegado. Que nada, seu anúncio oficial veio a pouco mais de um mês, e agora sim, as botas não fazem parte mais do figurino (a chuva agora convida pra um tênis..) os lenços voltaram a dar o ar da graça e as estampas florais invadiram todas as vitrines que se prezem. 
Mas um ítem continua me chamando a atenção: a meia calça. No Rio era cor de pele e coisa de velho.. sem sentido nenhum.

Primavera indefinida - meia no lugar da calça, sapatilha no lugar da bota, lenço no lugar do cachecol, mas, ainda de casaquinho na mão.


Aqui foi o charme do outono e fim do inverno com todas as suas cores, expessuras e texturas. Agora é o maior quebra-galho: a calça jeans já ficou muito pesada, mas ainda não dá pra circular por aí de shortinho, ainda mais em um ambiente um pouquinho mais formal como a faculdade. Mesmo transparente/cor da pele, dá um ar mais "elegante" e esquenta pro caso de bater um ventinho.
Bom, essa semana que vem vamos presenciar aqui o maior desfile da Andalucía: La Feria de Sevilla! Uma grande feira, com muita comida, bebida, flamenco e sevilla e, é claro, os mais belos trajes. Um vestido novo chega a custar 500 euros, mas todas as erasmus se viram pra entrar no clima, que é cheio de cores e cultura! Mal posso esperar! Hasta luego!


Primavera quase verão - cores alegres e finalmente, a luz do sol. =)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Engenheiros em protesto

Parêntesis na Semana Santa pra registrar um acontecimento da semana passada: um protesto de estudantes na faculdade, que hj eu consegui as fotos da Luana que estrategicamente tinha sua máquina em mãos naquela tarde. Foi assim: estávamos na aula ouvindo uma barulheira enorme, e quando saímos vimos todos os aparejadores na rua gritando e marchando rumo à reitoria. Aos poucos fomos nos inteirando do que se passava. Acontece que aqui na Espanha, a Escola Técnica Superior de Arquitetura oferece uma formação super completa aos estudantes, que comparado aos cursos do Brasil é quase uma soma de Arquitetura e Engenharia Civil, à exceção de alguns temas que ficaram por conta de uma outra escola vizinha, que primeiro se chamou Escuela de Aparejadores, depois Arquitectura Técnica, e por fim, recentemente, ganhou o título de Ingeniería de Edificaciones, o que os deixou muito cheio de orgulho de finalmente serem chamados de engenheiros. Acontece que, estavam querendo tirar o título deles, ("só da gente!") sendo que todas as demais engenharias continuariam formando seus "engenheiros". Bastou pra que todos os alunos se juntassem num protesto desde o campus da Reina Mercedes, onde fica sua Escola, até a Reitoria, parando o trânsito numa avenida importante da cidade, e atraindo uns muitos carros de polícia. "Mano arriba, esto es un atasco!", y "Industriales, hijos de puta!" foram algumas das coisas que eu ouvi, sendo que o reitor é um engenheiro industrial e não parecia ter abraçado a causa, mesmo sendo o único que podería fazer alguma coisa no âmbito Sevilla.
Cervejas na mão, escolta de policiais, e algumas horas depois tudo se acabou, mas legal foi ver a quantidade de alunos se juntando pela causa! 
Inge-nieros! Inge-nieros!

domingo, 17 de abril de 2011

Da neve aos Ramos da primavera

Na verdade, esse era pra ser um post sobre o inverno. Mas eu demorei, a primavera se anunciou e não tive escolha, senão que comemorar o domingo de Ramos dando tchau pro frio que senti por tanto tempos nas bandas de cá. . Depois de muitas tentativas a neve, foi na Sierra Nevada, perto de Granada, na Andaluzia mesmo, que eu me deparei com esse cenário todo todo branco, bonito demais. O ski foi uma aventura doida que.. não deu em nada. O medo bateu, e eu me diverti mesmo foi fazendo boneco de neve e anjinho jogada no chão.
É a última vez que eu menciono o frio, Sevilla não deixa mais. Vanesa e João compraram uma piscina no chino pra não deixar de aproveitar nem um segundo do sol de Sevilla, que já passou dos 30 graus várias vezes, e estão me chamando pra eu largar o computador e me juntar a eles.
Queria escrever mais, mas fica pra próxima vez.
Terminando então com uma foto na beira do Rio, num dos programas mais primaveiris daqui..

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Aventuras na cozinha

Primeiro arroz com feijão - branco
Esses dias assisti o filme Julie e Julia, que é sobre uma americana que resolve aprender a refinada culinária francesa, e fiquei me perguntando porque ainda não tinha escrito como anda a vida culinária por aqui.
Pra quem ainda não sabe, na España se come tapas, que são pequenas porções de muitos tipo de comida, pode ser desde presunto até carne com tomate. Mas não é sobre a comida na rua que eu queria falar, e sim sobre como eu fui aos poucos criando intimidade com o o fogão (mais precisamente, com a vitroceramica que eu tenho agora, e a ausência do forno!)
Quem me conhecia sabia que na minha casa em Niterói eu só entrava na cozinha pra comer, e não tinha a menor intimidade com o fogão. Aqui quem me ensinou a cozinhar primeiro foi a Luana, me introduzindo nas coisas mais básicas e me dando força pra não desistir ao primeiro arroz queimado. Essa primeira foto aí do lado é uma das primeiras refeições decentes que comi aqui, à la brasileira. Não durou muito. Comer com arroz, feijão, carne, batata, salada e zas e zas dá mt trabalho e consome mt tempo, e não vou esconder que trai o arroz pelo macarrão e passeo um bom tempo só comendo isso..

Cheia da intimidade com a panela! hahah

Bom, o mais importante é como eu crei gosto por cozinhar! Nunca em minha vida pensei que sentiria falta de reforgar uma cebola ou picar um frango. Pratos que eu achava que só uma autoridade superior da cozinha -mamãe- poderia fazer, se mostraram super fáceis, como o strogonoff. Ai como eu amo strogonoff! Pena que não dá pra comer todo dia. O tema da gordura foi outa coisa que me passou aqui. No começo, quando eu ainda não tinha muita paciência pra cozinhar eu emagreci bem,  mas do natal pra cá, passei a conhecer melhor os supermercados, as coisas que eu gosto de comer, e foi uma bola de neve, juntando com o fato de no inverno a gente sai sempre com muitas camadas de roupa e é mais difícil reparar que ta engordando.. bom, agora estou tendo que correr atrás do prejuízo. Gosto também de observar como cada um aqui vai levando sua vida culinária. A Luana tem uma mãe nutricionista, então comia sempre muito responsavelmente, pensando em balancear nutrientes no prato, e cheia dos conhecimentos dos legumes e vegetais. O João é exigente, gosta de tudo muito bem feito e temperado, e tem muita paciência pra fazer pratos mais elaborados e demorados. A Vanesa era a única que já morava sozinha antes de vir pra cá, então já tinha algumas manhas de cozinha, mas fiquei surpresa como foi pela comida que ela mais se inseriu na vida espanhola – enamorou-se pelo azeite e pelas torradas com azeite e tomate pela manhã.


Fora isso, a gente vai se acostumando com os ingredientes que encontra por aqui, feijão em lata pra não precisar cozinhar, patê, que é muito barato mercado, carnes não tão boas e paellas conjeladas. Na minha geladeira o que mais mudou foi a presença dos vegetais: nunca falta berinjela, pepino, pimentão, cogumelo, alface, tomate. A berinjela foi um achado alemão: o alemão que morava comigo não vivia sem, e sempre me oferecia, e eu, com vergonha de recusar, acabei me viciando. Agora moro com duas italianas, que, claro, comem macarrão todo santo dia. Essa última foto é da festinha de despedida do meu antigo piso, cada um levou alguma coisa que gostava de fazer. O Pieterjan(belga) levou guacamole, o Fabia (alemão) peixe frito, eu levei strogonoff. A lentilha é da Irene, uma italiana que não tinha mais nada na geladeira naquele dia.. a Luana levou uma sobremesa deliciosa de banana! Foi uma bagunça culinária, mas ficou gostoso! 
Beijos!

segunda-feira, 14 de março de 2011

A Casa

A casa tem sido um tema constante na minha vida nos ultimos tempos. Bom, em espanhol tem uma palavra que define a casa melhor do que "casa", é a vivienda. Lugar de viver. Minha matéria de projeto tem como tema a vivienda, e meu professor vive dizendo que é o projeto mais difícil de fazer. Museu? Centro cultural? Comercial? Que nada. Vai projetar um lugar onde as pessoas tem que viver intrinsicamente e verás o que é um desafio. Pra projetar uma casa a gente vê que é preciso entender muito bem como anda a vida das pessoas. Como andam as famílias, as relações hierárquicas com os empregados e serviços da casa, onde se come, reza, ama, essas coisas. 
Também estive pensando muito sobre a casa porque me mudei recentemente. Em Niterói sempre morei com meus pais e acho que não pensava muito em outras opções de moradia porque.. não tinha opção mesmo. Mas aqui, com todo um horizonte de opções, minha cabeça foi a mil. O que é realmente necessário que uma casa forneça, enquanto ambiente construido, pra gente ser feliz? Preciso de uma sala com muita luz?! Com vista pra onde?! Lavabo é necessário?! Quão pequeno pode ser um quarto?! Corredor é ruim?! Cozinha pode não ter forno?! E penduramos a roupa aonde?! Até que ponto pequenos incômodos no dia-a-dia podem se tornar uma pedra no sapato foram questões para às quais fui me atentando não só pra procurar um canto pra mim, como pra pensar um canto para os outros.
Acabei assentando-me num apartameno de três quartos, que divido com duas italianas, melhor ainda, palermitanas, e já estou sentindo a diferença de morar com os nórdicos belgas e alemãs com quem antes compartia minha casa. Pra quem já viu "Bienvenidos al sur" (não sei como vai ficar o título em português), sabe quem os italianos do sul são alegres, abertos e carinhosos, comem bem, dormem bem e gostam muito de café! hahahahaha
Aqui em casa os quartos são grandes, mas é a sala que sempre fica ocupada, com a televisão ligada agregando companhia mesmo quando estamos facebookando. Alias, isso foi um detalhe que me chamou muito a atenção, já que no meu apartameno anterior tínhamos uma tv na sala, mas eu acho que se foi ligada cinco vezes foi muito. Me dei conta de que no Brasil tínha 5, isso mesmo, cinco televisões na casa (uma em cada um dos tres quartos, uma sala e uma na cozinha!!!) e como ela fazia parte da nossa vida. Entre notícias no jornal, séries de tv ou qualquer bobagem, ter o hábito de ver tv foi uma das coisas que fez com que eu me sentisse mais em casa agora, levando uma vida caseira mais parecida com a que eu tinha na minha terrinha.  Que venha eramus parte 4 - sevilla versão italia. 
Nas próximas notícias espero que o vocabulário siciliano já não me pareça tão estrangeiro! hahahahaha


Ciao! 

quarta-feira, 2 de março de 2011

Quando a rua vira casa

Margens do Gualdaquivir
Nossa, como faz tempo que eu não escrevo aqui. Um mês, quase?! Tsc tsc, que isso não se repita! Nesse meio tempo muita coisa aconteceu, e pelo último post deu pra perceber que as coisas mudaram por aqui. De muitas formas na verdade. Das pessoas queridas e dos amigos mais especiais que fiz aqui, muitos terminarem sua jornada e voltaram pro Reino Encantado do Brasil, deixando os que ficaram com uma ambígua sensação de vazio, sem saber o que nos vai passar nesses próximos meses de reta final de Espanha. Ambuiguidade é o que falta nos nossos coraçõezinhos por agora.. ok, vou falar só por mim. O ano tardou mas virou, o segundo cuatrimestre finalmente começou e eu não sei se prevalesce a impressão de que o tempo tá passando e que um dia de fato eu vou voltar pra casa, ou se, pensando nisso, dar-me conta de que ainda faltam alguns bons meses. Serão cruciais. Vão definir os rumos da arquitetura que eu vou seguir no Brasil, os demais lugares dessa Europa que eu vou conhecer, as amizades que eu vou manter, seja aqui ou seja lá. 

Voltando à Sevilla, tenho que contar sobre duas coisas importantes que me aconteceram nesses ultimo mês. A primeira foi mudar de apartamento. Pois é, alguns meses depois de enfrentar transito pra ir e voltar da faculdade eu me dei conta de que tinha a faca e o queijo na mão pela primeira vez na vida pra mudar uma circutância estrutural que me incomodava, assim que, passada uma saga pela busca de um novo piso, consegui o que queria: ficar perto da faculdade, dos amigos, dos festejos e do rio. De quebra ainda caiu nas minhas mãos um quarto melhor, um ape mais legal e duas novas companheiras de piso italianas que são uns amores. 

A outra coisa foi viajar pra Viena pela segunda vez. Decidi ir porque janeiro foi um mes muito duro em Sevilla, com todo mundo estudando pros exames e o frio apertando, a saudade da família bateu forte e eu fui correndo pra casa da minha prima e passei logo todas as férias de inverno lá. Posso dizer que me apaixonei: Viena é depois de Sevilla a cidade mais legal que eu conheci aqui (afetos à parte! haha) e foi uma delícia poder conhecê-la melhor. Passei os dias ensolarados que fizeram por lá (pois é, a neve pelo visto não gosta de mim) estudando a obra do Gustav Klimt, um pintor modernista incomparável e do Coop Himmelb(l)au, um estúidio de arquitetura contemporanea. visitei museus fora do circuito turistico, comi bem, patinei no gelo numa pista que é quase uma mini-cidade, e de quebra ainda tive a oportunidade de reascender uma paixão: na casa da minha prima tem um piano!!!!! Nossa, como a música me faz falta..

Enfim voltem à Sevilla, renovada, pronta pra fase de adaptação ao novo piso e às despedidas dos amigos que voltaram pro Brasil. Fomos abeçoados com uma onda de calor que tomou conta da cidade no meio do inverno e lotou as orillas (margens) do Guadalquivir.
Hoje eu vou pras Ilhas Canárias, curtir um carnaval que dizerm assemelhar-se ao Brasil (a conferir) e ver o mar. Aaahhh, o mar! Até mais, gente! :D

domingo, 19 de dezembro de 2010

DIA 100!

Dia 100!!!! É com essa foto outonal que eu escrevo pra comemorar os cem dias que passei em Sevilla. Cem dias,  três meses, um de passeio, dois de faculdade. Não, eu nem gosto de números.. 
Um piso, alguns países, muitos amigos. Olhando pra trás, tanta coisa já aconteceu!! Às vezes me perco nos pensamentos em quando cheguei, as coisas que aconteceram, as pessoas que vi, os lugares por onde andei. Tanta coisa já mudou!!! Quando penso na proximidade do Natal e do fim do ano fico com a impressão de que metade da minha jornada aqui já se foi, mas na verdade ainda tô no meio da primeira metade! Eita! A mudança da paisagem acompanha o passar dos dias, e é impossível não notar as árvores ficando mais secas e sem folhas, ou então com lindos tons terrosos e rosas outonais.. confesso que sempre tive um desejo de conhecer a passagem das estações. 
O final do ano pra mim sempre teve um gostinho especial. Gosto de ver a cidade se iluminando pro Natal, a reunião em que trocamos presentes, a semana de espera pra noite da virada. Ai que delícia! Eu, que faço aniversário em agosto, costumo dizer que o ano pra mim tem dois ciclos: passo a primeira metade do ano esperando meu aniversário, e a segunda esperando as festas de fim de ano! Ha-ha. Não é brincadeira. 
Esse ano o natal vai ser diferente, mas igual: longe da família que eu amo tanto, com a qual não fico dois dias sem falar (sim, eu sou uma skype fan!) mas com comilança, presentes e amigos queridos. É, nesse pouco tempo que passou já deu pra fazer amigos especiais, e que vão fazer muita falta quando forem embora. Aqui embaixo vai um foto de alguns deles (não todos) que tem feito parte dos meus dias em nessa cidade colorida: os cearenses queridos, que me encantam sempre com seu sotaque gostoso, a loira láa do sul e minha companheira de piso. Mistura de sotaques, personalidades e cultura. Só pode sair coisa boa disso!


Nesse dia descobri por acaso uma tradição muito legal dos estudantes espanhóis: uns quinze dias antes do reveillón, junta-se toda a gente na praça e faz-se de conta que chegou a "noche vieja", o dia de celebrar a passagem do ano. Surgiu em Salamanca, cidade universitária mór da Espanha, com estudantes que iam voltar pras suas cidades pro fim ano mas que mesmo assim queriam celebrar com os amigos. Legal né!


Nessa semana entro de "férias", na verdade é o recesso de natal, que se prolonga até a primeira semana de janeiro. Cheiro de viagens e mudança no ar. To animada!
Beijos a todos!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Ultimas notícias sevillanas

Ultimas notícias Sevillanas..
Por aqui anda tudo bem.. o tempo vai esfriando potencialmente, deixando os brasileiros morrendo de frio, e os belgas rindo da nossa cara. Ando atolada, como sempre. Cada vez com mais coisas pra estudar, mas também com as tarefas cotidianas, a dizer, comprar comida, cozinhar, fazer a marmita nossa de todo pro almoço na facul, limpar a casa, lavar a louça e a roupa, desclocarse de um lugar ao outro (eh, sevilla é pequena mas nem tanto!) planejar as viagens, etc. As vezes queria ter uma luísa só pra arquitetura e uma outra pra todo o resto. Enfine. A rotina se acomoda, mas segue cambiando, as festas pela semana não são mais tão frequentes, o encanto com as materias sim. Amanhã parto pra primeira viagem ao exterior - es decir, sin los padres né chicos! - e estou realmente empolgada. Espero ver neve em Londres. Essa semana preocupei-me com a correria de pseudo fim de semestre em dezembro e as viagens que estão por vir, vou ter que ser bem organizada pra conseguir entregar os trabalhos e focar nos estudos em meio ao universo erasmus. Enfine. O espanhol tá fluindo melhor, graças a deus. As aulas no instituto de idiomas são ótimas, a professora é engraçadíssima, e eu sinto cada vez menos cansaço mental ao ficar o dia inteiro na faculdade, embora ainda me enrole um pouco com os passados, o imperativo e por aí vai.

Novembro foi o mês família, estive com meus pais em Veneza, para a Bienal de Arquitetura, e depois eles vieram aqui em Sevilla me ver. Foi uma delícia, conheceram minha casa, meus amigos, a faculdade, a biblioteca, ah, a biblioteca. Papai se enfiou nos livros de matemática e mamãe catou um sobre paisagismo contemporâneo (que alias falava desde a primeira página sobre o Burle Marx - e sentou-se no meio dos alunos, deu uma bela foto que depois eu mando pra vcs. Mesmo com uma mãe relutante ao turismo convencional, e algumas aulas a ir, consegui mostrar um pouco do que Sevilla tem de melhor a eles, e posso dizer que apreciaram ;D O bom mesmo é que gostaram do meu piso, dos meus compis e dos meus amigos - os q eles conheceram - fizemos uma boa farra por aqui. Mamãe ficou satisfeitíssima de ir no supermercado me abastecer decentemente e da calefação do quarto do hotel - infelizmente pegaram raros dias chuvosos por aqui.

Eles se foram ontem e agora eu vou ser apresentada à saudade de verdade, afinal ainda não fiquei um mês direito sem ver pelo menos meu pai. Engraçado como eu sempre achei que fosse igual a minha mae, mas, com a distância e o curto tempo juntos, pude perceber claramente como sou igualziiinha ao meu pai. Curiosidade inútil, enfim. 

Até a volta de Londres e muitas novidades (espero!) ;DD

Besos!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Entremeios - dois meses em sevilla

Post aleatório, sem muito começo, meio nem fim, apenas para dizer que anteontem fez dois meses que eu cheguei em Sevilla, e eu gosto de marcadores temporais. Hoje é aniversário de duas amigas minhas (gêmeas) e eu passei a semana pensando nelas. É, acho que vai ser impossível passar essa temporada sevillana desligada da vidinha que ficou por lá, não importa a quantidade dos meses. Abri o e-mail esses dias e me deparei com mais uma idéia fofa das minhas amigas, com uma foto com uma mensagem tipo assim: "olha lu, a gente tava reunido vendo o jogo do botafogo e lembrou de você!". Não é uma bela idéia?! Falando com uma outra amiga, ela me disse estar surpresa em como eu dedico tempo ao Brasil. Facebook, email, blog.. as distâncias ficam mesmo muito estreitas. Mas quer coisa melhor, ligar o computador e receber uma mensagem de carinho dessas?! A foto vem assim, escura, espremida, espontânea. Pra mim tá muito é bom.  Viva a tela do computador, que substitui a tela da televisão, do rádio, o porta-retrato.
Em algumas horas parto pra Veneza, ver a Bienal de Arquitetura, o primeiro vôo Ryanair, a primeira cidade em italiano, encontrar mãe e pai, ô coisa boa.
Treinando a capacidade de síntese. Fico por aqui.
Laura, Marina, ah, vcs já sabem né?! Mil vezes parabéns.
Beijos.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Diarios de una bicicleta

Hola a todos, este es un primer intento de escribir aqui en español, a pedidos de una estimada amiga de Polonia, que hace un gran esfuerzo para compreender lo que escribo en portugués. Así que de princípio pido disculpas por los errores, es que aún estoy a estudiar la lengua. 
Por mucho tiempo estuve a pensar lo que podría escribir y luego en la ultima semana ocurrió algo que hice un cambio en mis dias aquí en Sevilla, así que es sobre la Sevici que voy a escribir. Lo que pasa es que en mi vida en Niterói estoy siempre presa en el autobús, todos los dias, al menos 2 horas. Me quedo cansada y muy aburrida, y tenía casi como un sueño de vivir en una ciudad dónde yo podría ir de bici a la universidad y todo. Mi tarjeta de Sevici todavía no ha llegado, y desde de que llegué a Sevilla estaba en la misma situación: presa en el autobus, con una sensación muy muy aburrida de pasividad. En esta semana que pasó decidí hacer el abono de corta duración, de una semana sólo, para ver lo que pasaba. iÉs increíble! Si te vas por el centro es posible llegar de la Alameda hasta el Prado en diez minutos! Si hace calor, el viento te refresca, si hace frio el movimiento te calienta. Tu siente dueño de tu dirección. Hacía muchos y muchos años que yo no tenía una bici en Brasil y luego estoy encantada en vivir la ciudad de bici. Es muy impresionante como puedes comprender mejor lo que pasa a su alrededor, es decir, la velocidad te permite observar el paisaje sin quedarte aburrido o cansado como en el autobús o caminando. Tu estas en la altura de las personas y puede guiarte por el camino que te parezca mejor, cambiando de dirección siempre que ves algo interesante. Tu coges a cualquiera estación, y ahí está.
Ahora para mis amigas de Brasil que me pidieron para explicar como funciona el sistema de las bicicletas públicas, que ahora para mi ya es tan claro pero que para quien no conoces el algo muy curioso. Es así: por toda Sevilla hay estaciones de Sevici, y tu si tiene una tarjeta o un abono de corta duración puede pulsar el código y una contraseña y luego elegir la bici que más te parece bien. Tu puede no tener suerte y no haber bicis en la estación, u luego tu tiene que caminar hasta la próxima. O también puede ocurrir que las bicis estén rotas, sin "guidon" o asiento. Un  otro problema es que cuándo tu llegues a tu destino y vas a dejar su bici, no haya plaza en la estación, luego que tiene que buscar una estación para dejarla. Es importante atentarse al tiempo: tu tienes media hora para dejar tu bici, sin embargo esto no es un problema una vez que en Sevilla tu puedes llegar a casi cualquier lugar en media hora. 
Una curiosidad: en el último día de mi abono de corta duración, yo me cayé de la bici al intentar una curva muy cerrada y luego me duele la mano y la tengo vendada. Tuve que ir a un hospital, pero no pasa nada, ahora estoy muy bien. Así mismo tengo que cuidarme! Con esta mano no puedo coger más Sevicis por algunos dias =/
Sin embargo, no entiendo como una ciudad no como Niterói no tiene un sistema como ese, fácil y eficiente. Aquí está el sítio web para quién quiera conocer más: www.sevici.es.
Besos! en el próximo post cambio al portugués! ;D

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Arquitetura, viagem e o tempo

Caetano Veloso cantou sobre o tempo:
"És um senhor tão bonito, quanto a cara do meu filho. Tempo tempo tempo tempo, vou te fazer um pedido, compositor de destinos, tambor de todos os rítmos. Entro num acordo contigo: por seres tão inventivo, e pareceres contínuo, és um dos deuses mais lindos. Tempo tempo tempo tempo, que sejas ainda mais vivo, no som do meu estribilho. Ouve bem o que te digo, peço-te o prazer legítimo, e o movimento preciso. Quando o tempo for propício, de modo que o meu espírito ganhe um brilho definido e eu espalhe benefícios. O que usaremos prá isso fica guardado em sigilo apenas contigo e comigo. E quando eu tiver saído, para fora do teu círculo, tempo tempo tempo tempo, não serei nem terás sido. Ainda assim acredito ser possível reunirmo-nos num outro nível de vínculo. Portanto peço-te aquilo, e te ofereço elogios nas rimas do meu estilo, tempo tempo tempo tempo..."
- Oração ao Tempo - 


Logo que eu cheguei aqui uma amiga do Brasil me perguntou como eu estava sentindo a passagem do tempo: rápido, devagar. Não consegui responder, mas achei a questão mais interessante do que as tradicionais perguntas sobre o fuso horário ou sobre a diferença de temperatura. Agora, que o tal tempo de alguma forma se assentou, acho que consigo ter alguma idéia formada a respeito, ainda que disforme. 
Ainda não fez um mês que chegamos, mas o começo das aulas deu uma sacudida boa na rotina: levei um susto ao perceber que sim, a vida de turista/férias/não sei definir está para acabar! A rotina vai de vez ser implantada, com carteiras, professores, leituras e desenhos, e o autocad vai voltar a fazer parte da minha vida. Não sei porque isso me pareceu tão estranho, como se esse cotidiano pertencesse à um universo paralelo que eu deixei lá do outro lado do oceano. Bom, acho q contribiu o fato de eu ter tido as férias de meio de ano mais longas de todos os tempos: de julho a setembro, foram dois meses e meio de preparações, burocracias, malas, ansiedade, estágio, férias, animação, aviões, apartamentos, línguas e pessoas muito diferentes. 
Ainda que a vida "real" - odeio esse termo com todas as forças - se estabeleça, espero que ela venha com calma, ritmada, e me conforto ao pensar que por mais brasileira a rotina de estudante seja, sempre vou ter o espanhol, as viagens, a qualidade do ensino e todo o resto, pra me lembrar que estou cá longe.
Además de eso (é, tá dificil pensar o tempo todo em portugês,  o español se entranha cada vez mais) o tempo se manifesta das mais diversas formas, como nas perguntas comuns que me fazem, e acabam inevitavelmente mexendo com o nosso dia-adia. O frio chega à Sevilla e assusta à nós brasileiros, que colocamos lenços à noite e ganhamos risadas dos belgas acostumados ao inverno de verdade. O fuso pra mim não fez diferença na rotina, mas faz na hora de matar as saudades: os cariocas entram no msn quando aqui é alta madrugada, e quando e estou com tempo livre, estão todos trabalhando. Assim a distância aumenta e a saudade aperta. Galera, vamos baixar o skype, por favor?! Brigada.

Um das considerações sobre o tempo mais interessantes que ouvi, nesses dias, veio é claro de uma aula: Composición - interpretación de la arquitectura contemporánea, e um discurso muito intenso sobre a relação da passagem do tempo, da cultura e da interpretação, ou seja, leitura, dos edifícios, do cenário que está por toda a parte. Dá vontade de ir à aula, não dá?! Dá medo também. Bom, de qualquer forma ainda estou escolhendo as matérias e vendo o que de fato vou estudar. Aguardo e verei, acho, e quando souber, conto aqui.

domingo, 19 de setembro de 2010

Curiosidades

 
Sevilla 40ºC

Hoje faz dez dias que cheguei em Sevilla e tenho feito várias anotações mentais sobre curiosidades aleatórias.. aí vai:
1. O verão de Sevilla é bem quente, com a máxima passando dos quarenta graus!
2. Sabe aquela musica "Macarena"? Foi feita aqui! La Macarena é um bairro de Sevilla
3. Aqui eles usam moedas de 1 centavo!!!! Fiquei muito surpresa ao receber trocos de valores como 1,99..
4. Os chineses também invadiram Sevilla. Têm mercadinhos dos "chinos" por todo canto, vendendo todo tipo de treco muito baratinho..
5. Em certos pontos o custo de vida tem nos surpreendido em como é barato, principalmente em relação a algumas comidas que no Brasil são caras: podemos tomar café com queijo camembert, almoçar costela de porco ao mel com vinho tinto a 5 euros (ok, a porção é pequena), e lanchar presunto de parma e queijo de cabra! muito bom!
6. No español é raro o S ser pronunciado com o som de Z, então ninguém consegue falar meu nome direito. Já desisti, e me apresento agora como LuíSSa (esse seria o som) ¬¬
7. Com o final do verão, a Bienal de Flamenco e a beleza da cidade, os turistas invadiram! Adoro andar na rua e ver mulheres de roupas compridas e pretas, com lenços coloridos e bolsa Adidas!!! 
8. Andando pelas ruas, vimos vários casamentos pelas igrejas que passávamos, e vimos que é moda usar arranjos enormes e coloridos nas cabeças! 
9. Nas ruas do centro é comum ver músicos tocando lindamente, seja flamenco ou outros tipos de música, e me lembrei fortemente de ouvir tango nas ruas de Buenos Aires...
10. Nosso apartamento tem a melhor TV de todos os que vimos, mas desde que nos mudamos nunca a vimos ligada.



















sábado, 18 de setembro de 2010

Lar, doce lar


Compis de piso: Fabian (Alemanha), Sofie (Bélgica),
Luísa, Luana e Pieterjan (Bélgica)

Demos mesmo foi muita sorte com esse apartamento. Olhamos bem uns 7, e esse reunia quase que tudo que queríamos: 2 quartos livres pra gente poder ficar junto, mais outras duas pessoas, e de preferência de lugares bem diferentes! Além disso a sala, cozinha e banheiro são bem espaçosos, e ainda temos lavabo e varandinha!
Os roommates são também muito legais, e nesses dias de convivência aprendemos muita coisa sobre a Bélgica e a Alemanha, e rimos muito com os belgas rindo do sotaque do Fabian. Eles todos tem um humor negro, meio sarcástico, que é muito engraçado. Parece que é meio assim: Bruxelas é a capital da União Européia, e a Bélgica é um país realmente muito pequeno, mas eles tem um imenso orgulho de lá e fica sacaneando os franceses e os alemãs falando inglês com sotaque (eles falam inglês muito bem!)
A Sofie é namorada do Pieterjan e vai ficar aqui por umas duas semanas, e é um doce de pessoa! Também dizemos que ela foi um bônus desse apartamento (hahaha), que é alegre e espontânea e faz tds nós convivermos mais harmoniosamente ;D
O apartamento quase não podia ser melhor: cada um tem seu quarto, o banheiro é grandinho, a cozinha e a sala também são espaçosas, e a varandinha rende uns agradáveis desayunos! Dela dá pra ver o começo da Alameda, aquela praça enorme que é um dos lugares que eu mais gostei daqui. Essa foto aí do lado é da nossa sala: na porta e janela tem um tipo de cortina que no Brasil se usa pra fechar portas de estabelecimentos comerciais, mas aqui é bem útil pra bloquear o calor durante a tarde, na siesta, e, se abrimos as frestas entram esses pontinhos luminosos e dá um efeito bem legal!
A próxima foto é da cozinha e bom, depois eu coloco mais. Sobre os apartamentos que vimos por aqui, alguns tinham uma planta não muito funcional, com quartos abrindo direto pra sala ou banheiros muito distantes de algum quarto; e também alguns era tão pequenos e com janelas tão ruins que me pareceram antigos quartos de empregadas que os donos oferecem aos estudantes. 
Vimos muitas dessas janelas voltadas para prismas, o que eu acho bem ruim, mas afinal essa é a única coisa que não gosto no nosso "piso" (apartamento), a minha janela volta-se para um prisma, que é como um pátio interno do andar debaixo, e o corredor tem duas janelas também voltadas para esse prisma, então do corredor vê-se meu quarto, se tudo estiver aberto. Área de serviço eu não vi em nenhum, no nosso há uma máquina de lavar embaixo da bancada da pia. Achei muito legal todos os apartamentos serem não só mobiliados, mas também terem utensílios domésticos, como pratos, copos, e panelas e talheres. Os móveis dos quartos são padronizados, todos iguais não só no nosso piso, mas em tds os que visitamos! 
A senhora que aluga o nosso apartamento foi bem legal, e fez questão que estivesse tudo funcionando perfeitamente pra gente, e também comprou esses dias o ar condicionado para a sala.
Tchau calor! \o/