"Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar, que tudo era pra sempre, sem saber que o pra sempre sempre acaba?"
(Por Enquanto, Cassia Eller)
Só pra que, se antes a sensação era de "tá acabando!" agora já virou "já acabou". Já faço listas de lugares de Sevilla que eu ainda não conheci, comecei a fotografar cada esquina que vejo, e me dou conta de que me faltam duas semanas pra terminar todos os meus trabalhos, até que chegue meu irmão e as entregas. Já cruzo a ponte olhando o rio e pensando "não quero ir!"
Só não termino com "estamos indo de volta pra casa", porque seria uma mentira.
Opto por terminar com um poema de um livro que minha mãe me deu quando eu era criança (não lembro a idade!) e nunca me esqueci, e acho o finalzinho um tanto quanto pertinente.
"Um aviador irlandês prevê sua morte
Nas nuvens, perdido, em seu meio,
Que sina me aguarda estou vendo;
Quem vou combater não odeio,
Não amo a quem defendo.
É Kiltartan Cross minha terra,
Minha gente, os pobres de lá,
Seu mal não finda o fim da guerra
E nem mais feliz a fará.
Não luto por lei, por dever,
Políticos, povo, escarcéu:
Impulso só meu de prazer
Me trouxe ao tumulto do céu.
A mente os cálculos faz:
À frente não tendo o que importe,
Nem tendo o que importe por trás,
Compensa esta vida esta morte.
D.W.Yeats
Tradução de Paulo Vizioli, no livro Poemas (Companhia das Letras, 1991)
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segunda-feira, 16 de maio de 2011
quarta-feira, 2 de março de 2011
Quando a rua vira casa
| Margens do Gualdaquivir |
Voltando à Sevilla, tenho que contar sobre duas coisas importantes que me aconteceram nesses ultimo mês. A primeira foi mudar de apartamento. Pois é, alguns meses depois de enfrentar transito pra ir e voltar da faculdade eu me dei conta de que tinha a faca e o queijo na mão pela primeira vez na vida pra mudar uma circutância estrutural que me incomodava, assim que, passada uma saga pela busca de um novo piso, consegui o que queria: ficar perto da faculdade, dos amigos, dos festejos e do rio. De quebra ainda caiu nas minhas mãos um quarto melhor, um ape mais legal e duas novas companheiras de piso italianas que são uns amores.
A outra coisa foi viajar pra Viena pela segunda vez. Decidi ir porque janeiro foi um mes muito duro em Sevilla, com todo mundo estudando pros exames e o frio apertando, a saudade da família bateu forte e eu fui correndo pra casa da minha prima e passei logo todas as férias de inverno lá. Posso dizer que me apaixonei: Viena é depois de Sevilla a cidade mais legal que eu conheci aqui (afetos à parte! haha) e foi uma delícia poder conhecê-la melhor. Passei os dias ensolarados que fizeram por lá (pois é, a neve pelo visto não gosta de mim) estudando a obra do Gustav Klimt, um pintor modernista incomparável e do Coop Himmelb(l)au, um estúidio de arquitetura contemporanea. visitei museus fora do circuito turistico, comi bem, patinei no gelo numa pista que é quase uma mini-cidade, e de quebra ainda tive a oportunidade de reascender uma paixão: na casa da minha prima tem um piano!!!!! Nossa, como a música me faz falta..
Enfim voltem à Sevilla, renovada, pronta pra fase de adaptação ao novo piso e às despedidas dos amigos que voltaram pro Brasil. Fomos abeçoados com uma onda de calor que tomou conta da cidade no meio do inverno e lotou as orillas (margens) do Guadalquivir.
Hoje eu vou pras Ilhas Canárias, curtir um carnaval que dizerm assemelhar-se ao Brasil (a conferir) e ver o mar. Aaahhh, o mar! Até mais, gente! :D
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Ana e o Mar, Luísa e o Rio.
Manifesto de saudade do mar. Porque o Rio Gualdaquivir é lindo, mas não tem areia. (nem brisa do mar, nem a imensidão azul.. que me faz tanta falta).
Teatro Mágico, Ana e o Mar:
"Veio de manhã molhar os pés na primeira onda. Abriu os braços devagar e se entregou ao vento. O sol veio avisar que de noite ele seria a lua, pra poder iluminar Ana, o céu e o mar. (...)
Ana aproveitava os carinhos do mundo, os quatro elementos de tudo, deitada diante do mar, que apaixonado entregava as conchas mais belas, tesouros de barcos e velas que o tempo não deixou voltar! (...)O sorriso do mar drugada se estende pro resto do mundo, abençoando ondas cada vez mais altas, barcos com suas rotas e as conchas que vem avisar, desse novo amor... Ana e o mar."
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Pernas pra que te quero?! O metrô vai dominar o mundo.
Não foi no Rio de Janeiro que tudo começou, embora eu seja uma (quase) carioca da gema (aham, cláudia..) aaah, foi em Londres. Hoje em dia não dá pra circular numa grande cidade européia sem disfrutar dessa sensação de... minhoca. Desculpa, não consigo pensar em outra palavra. Lá vai você espremer-se por debaixo da terra e.. ok, parei. Eu vim pra falar bem do metrô, e seu eu não admitir suas vantagens meus fiéis companheiros de turismo me matam. Então vá lá:No começo foi uma coisa linda, numa cidade conto de fadas, tudo limpo, claro, civilizado, ainda por cima em alemão, uma coisa assim.. rica. Ah é, esqueci de dizer que antes de me aventurar por Londres eu passei no humilde metrô de Viena, e ainda ganhei um comentário de uma amiga viajada no facebook: "ih, Luísa, vc não viu naada!" ¬¬ Lá fui eu me meter no desenhado London Underground. O mapa deu tão certo que virou marca, há estampas dele por todo canto. Os mapas são sempre assim... didáticos. Aliás, se tem uma coisa que eu não posso reclamar de metrô é a eficiência. Não só de serviço, mas de comunicação! É uma lição viva de comunicação visual. Os mapas são sempre assim coloridinhos e fáceis de entender; nas estações sempre tem placas orientando seu caminho pelos túneis e inclusive relógios dizendo o quanto você ainda tem que esperar. Em Londres está escrito naquela faixa amarela antes da pista: "mind the gap" e também é falado por uma voz quando você entra ou sai do metrô. Claro, Mind the Gap também virou marca. Significa algo do tipo, "se liga na faixa" numa tradução bem porcaria.

Era de dar medo, juro. Você entra na estação e não desce uma escada rolante, desce umas três! Além do que elas são GIGANTES! Dá pra se sentir naquelas histórias de viagem ao centro da terra..
Ainda bem que as estações são projetadas pra serem bem iluminadas e sinalizadas, senão estávamos todos ferrados. Ah, é uma coisa fofa quando tem gente tocando música dentro da estação. Eu mesma ousei tocar umas noticas no teclado de um tal muito simpático entre o Hyde Park e o Tâmisa.
Bom, depois de voltar ao Reino Encantado de Sevilla e passear pelas doces Zaragoza e Bilbao antes do Reveillón, lá fui eu fazer turismo no metrô de Barcelona:
Repare bem nas bolinhas que viram feijões: isso se chama conexão. Posso reclamar um pouco? Se tem coisa pior que deixar de ver a cidade pra chegar mais rápido lá e cá (o que é totalmente aceitável, admito) é deixar de ver a cidade pra bater perna no.... SUBSOLO! É sério!! lá vamos nós percorrer os túneis subterrâneos já não mais limpos, bonitos e sedosos como os de Viena, pra pegar o próximo trem. Há quem diga que dá pra percorrer Barcelona inteira por aí debaixo, mas eu prefico bater perna nos bem cortados quarteirões com esquinas em 45º que eu tanto estudei na faculdade.Achou que tinha visto de tudo nessa vida? Bem vindo ao mapa do metrô de Paris!!!!!! Isso sim é tecnología da comunicação!! Numa mesma sequencia de linhas e cores, você quizá encontra as linhas de metro de trem e o que mais você quiser. Os trens são rápidos, mas os vagões, antiquíssimos, às vezes me sentia num filme daqueles antigos, con trens e tal, sabe?! Mas láa embaixo da terra. Algumas linhas são bem longas, mas você pode acompanhar seu destino pelas bolinhas que marcam cada estação: elas vão acendendo conforme o trem passa, legal e bem útil.
Algumas outras curiosidades:
Tem bancos que ficam perto da porta que não são bancos de verdade, quando o metrô lota você se levanta e enconsta ele. E olha que o metrô lota bastante!! Contei nos dedos as vezes que consegui sentar. Rio de Janeiro feelings.
O que não lembra o Rio nem um pouco é a organização da escada rolante. Lado direito se você quer ir com calma no seu degrauzinho, lado esquerdo se você é apressadinho.
Temperatura: viajar no inverno dá nisso, ar puro congelando e você com mil casacos. Metro aos vinte e todos graus e você.. com mil casacos. Depois de um tempo você se cansa de tirar e no máaximo fica sem gorro e luvas, porque senão vc sufoca...Enfim, deslocamento rápido, quando o tempo é curto = saldo positivo. Vamos torcer pra que essa facilidade da vida urbana moderna chegue logo no Rio de demais "Brasis" e eu saiba aproveitá-lo é muito bem.
Beijos!
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Relatos del viaje - parte 1: España!
A los amigos queridos que me hacen tanta falta, hola! You es un post especial en español para mis amigos sevillanos, es decir, los que he conocido aqui! Vuelvo ahora de la clase proyectos, mi encuentro con la realidad (no la de verdad, sino que la del reino encantado de Sevilla, claro) despues de un prolongado viaje por las fiestas de fin de año, y que voy a contas poco a poco aqui mismo. Presentando mis interlocutores, Camen, la Italiana; Diana, la mexicana y Pablo, lo unico original espanhol! jajaja (y que me vas a corregir los terribles errores de la lengua, espero!)
Pues, en esta parte fueron ocho dias, tres regiones distintas de España, tres lenguas distintas, una pasaje de año y muchas cosas bonitas de se ver. Empezamos en cinco brasileños, en la región de Aragón, en una ciudad donde verdad que me senti muy homenajeada, pues que mete mi segundo nombre por toda parte: Zaragoza, originalmente Caesar Augusta, por el imperador romano César Augusto y que se cambio por los árabes Šarakusta. La falta de expectativa dejó este inicio de viaje muy agradable, sin la presión de conocer al mundo en poco tiempo, apreciando la gente, los monumentos y el tiempo no mucho frío. (Tenemos mucha suerte con el clima!)
Después fuimos a Bilbao, la capital del País Basco, que es una de las regiones más separatistas de España (para que mis amigos brasileños lo sepan, aquí va: http://www.elpais.com/espana/paisvasco/ e http://www1.folha.uol.com.br/mundo/857400-governo-espanhol-diz-que-cessar-fogo-da-eta-e-insuficiente.shtml) pero donde descubrimos una ciudad que presenta mucho más que el Museo Guggenheim! Bonita, con una arquitectura muy rica y una lengua muy rara, el euskera, idioma oficial. Un caso curioso que se pasó con uno de mis amigos que estuve hospedado en la casa de una basca original:
Pedro: "Es que yo estoy estudiando aquí en España también, en Sevilla"
Su amiga basca: "No! Tu estás estudiando ALLÍ en España. Aquí, es el País Vasco."
Bueno, después de aventurarnos por la lengua de las "k" y de las "z", fuimos a la tan esperada Barcelona, donde nos encontraron más cuatro amigos y con el grupo completo celebramos la noche vieja y conocimos el trabajo de uno de los arquitectos más emocionantes: Antonio Gaudí. Yo, que no me pongo a llorar por cualquier cosa, tengo que confesar que no pudo quitar las lagrimas al adentrar la Basílica de la Sagrada Família, quizás también porque sea uno de los pocos puntos turísticos de que yo no tenía una imagen preexistente (solamente de la parte exterior), así que desfruté mucho del audioguía y me quede por no menos que trés horas a admirar los detalles de los pilares, loza y en los museos, con millares de maquetas y dibujos de como será cuando esté finalizada (verdad que todavía hay mucho que construir allí!)
Además tomamos más cuatro dias a conocer otras Barcelonas, a disfrutar las vacaciones antes de tomar el ultimo Ryanair y empezar todo de nuevo.
Ahí está, un resumen del poco que conocí dese rico país. A los pocos voy escribiendo más sobre mis impresiones y lugares visitados..
Próximo post: Paris! :D
Abaixo algumas fotos só pra ilustrar, mais só no facebook! o/
Besos!!!
| A linda rua peatonal, o ponto de fuga maestral com a Igreja de Nossa Senhora do Pilar ao fundo. |
| Entendeu? Bem vindo ao País Basco! |
| Patinando no gelo! Sim, eu consegui!! Hahahaha |
| Arquitetos flagrados explorando a textura do Guggenheim |
| Uma explosão de cores e paz, a Sagrada Família! |
domingo, 19 de dezembro de 2010
DIA 100!
Dia 100!!!! É com essa foto outonal que eu escrevo pra comemorar os cem dias que passei em Sevilla. Cem dias, três meses, um de passeio, dois de faculdade. Não, eu nem gosto de números..
Um piso, alguns países, muitos amigos. Olhando pra trás, tanta coisa já aconteceu!! Às vezes me perco nos pensamentos em quando cheguei, as coisas que aconteceram, as pessoas que vi, os lugares por onde andei. Tanta coisa já mudou!!! Quando penso na proximidade do Natal e do fim do ano fico com a impressão de que metade da minha jornada aqui já se foi, mas na verdade ainda tô no meio da primeira metade! Eita! A mudança da paisagem acompanha o passar dos dias, e é impossível não notar as árvores ficando mais secas e sem folhas, ou então com lindos tons terrosos e rosas outonais.. confesso que sempre tive um desejo de conhecer a passagem das estações.
O final do ano pra mim sempre teve um gostinho especial. Gosto de ver a cidade se iluminando pro Natal, a reunião em que trocamos presentes, a semana de espera pra noite da virada. Ai que delícia! Eu, que faço aniversário em agosto, costumo dizer que o ano pra mim tem dois ciclos: passo a primeira metade do ano esperando meu aniversário, e a segunda esperando as festas de fim de ano! Ha-ha. Não é brincadeira.
Esse ano o natal vai ser diferente, mas igual: longe da família que eu amo tanto, com a qual não fico dois dias sem falar (sim, eu sou uma skype fan!) mas com comilança, presentes e amigos queridos. É, nesse pouco tempo que passou já deu pra fazer amigos especiais, e que vão fazer muita falta quando forem embora. Aqui embaixo vai um foto de alguns deles (não todos) que tem feito parte dos meus dias em nessa cidade colorida: os cearenses queridos, que me encantam sempre com seu sotaque gostoso, a loira láa do sul e minha companheira de piso. Mistura de sotaques, personalidades e cultura. Só pode sair coisa boa disso!
Nesse dia descobri por acaso uma tradição muito legal dos estudantes espanhóis: uns quinze dias antes do reveillón, junta-se toda a gente na praça e faz-se de conta que chegou a "noche vieja", o dia de celebrar a passagem do ano. Surgiu em Salamanca, cidade universitária mór da Espanha, com estudantes que iam voltar pras suas cidades pro fim ano mas que mesmo assim queriam celebrar com os amigos. Legal né!
Nessa semana entro de "férias", na verdade é o recesso de natal, que se prolonga até a primeira semana de janeiro. Cheiro de viagens e mudança no ar. To animada!
Beijos a todos!
Um piso, alguns países, muitos amigos. Olhando pra trás, tanta coisa já aconteceu!! Às vezes me perco nos pensamentos em quando cheguei, as coisas que aconteceram, as pessoas que vi, os lugares por onde andei. Tanta coisa já mudou!!! Quando penso na proximidade do Natal e do fim do ano fico com a impressão de que metade da minha jornada aqui já se foi, mas na verdade ainda tô no meio da primeira metade! Eita! A mudança da paisagem acompanha o passar dos dias, e é impossível não notar as árvores ficando mais secas e sem folhas, ou então com lindos tons terrosos e rosas outonais.. confesso que sempre tive um desejo de conhecer a passagem das estações.
O final do ano pra mim sempre teve um gostinho especial. Gosto de ver a cidade se iluminando pro Natal, a reunião em que trocamos presentes, a semana de espera pra noite da virada. Ai que delícia! Eu, que faço aniversário em agosto, costumo dizer que o ano pra mim tem dois ciclos: passo a primeira metade do ano esperando meu aniversário, e a segunda esperando as festas de fim de ano! Ha-ha. Não é brincadeira.
Esse ano o natal vai ser diferente, mas igual: longe da família que eu amo tanto, com a qual não fico dois dias sem falar (sim, eu sou uma skype fan!) mas com comilança, presentes e amigos queridos. É, nesse pouco tempo que passou já deu pra fazer amigos especiais, e que vão fazer muita falta quando forem embora. Aqui embaixo vai um foto de alguns deles (não todos) que tem feito parte dos meus dias em nessa cidade colorida: os cearenses queridos, que me encantam sempre com seu sotaque gostoso, a loira láa do sul e minha companheira de piso. Mistura de sotaques, personalidades e cultura. Só pode sair coisa boa disso!
Nesse dia descobri por acaso uma tradição muito legal dos estudantes espanhóis: uns quinze dias antes do reveillón, junta-se toda a gente na praça e faz-se de conta que chegou a "noche vieja", o dia de celebrar a passagem do ano. Surgiu em Salamanca, cidade universitária mór da Espanha, com estudantes que iam voltar pras suas cidades pro fim ano mas que mesmo assim queriam celebrar com os amigos. Legal né!
Nessa semana entro de "férias", na verdade é o recesso de natal, que se prolonga até a primeira semana de janeiro. Cheiro de viagens e mudança no ar. To animada!
Beijos a todos!
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Um dia a areia branca, seus pés irão tocar.
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